Um estudo da Mayo Clinic revelou que o Alzheimer avança mais rapidamente em mulheres do que em homens devido à interação de duas proteínas alteradas, tau e alfa-sinucleína, no cérebro. A pesquisa, publicada na revista JAMA Network Open, mostra que a progressão da doença pode ser até 20 vezes mais rápida em mulheres que apresentam ambas as proteínas alteradas. Essa descoberta fornece uma explicação científica para o fato de que cerca de dois terços dos diagnósticos de Alzheimer ocorrem em mulheres, destacando a necessidade de tratamentos específicos.
Coordenado pela neurorradiologista Kejal Kantarci, o estudo envolveu 415 participantes da Iniciativa de Neuroimagem da Doença de Alzheimer nos Estados Unidos. Os participantes foram submetidos a exames cerebrais avançados e análises de líquido cefalorraquidiano para identificar padrões anômalos na acumulação das proteínas tau e alfa-sinucleína. Os resultados mostraram que 17% dos participantes tinham níveis patológicos de alfa-sinucleína. Nas mulheres que apresentavam ambos os marcadores alterados, a taxa de acumulação de tau e o declínio cognitivo eram significativamente superiores em comparação aos homens com o mesmo perfil molecular.
A Mayo Clinic explica que esse mecanismo é responsável pelo fato de que aproximadamente 66% dos pacientes diagnosticados com Alzheimer são mulheres, uma questão que carecia de uma explicação biológica sólida. A doença é caracterizada pela acumulação de proteínas anômalas que prejudicam a comunicação entre as células cerebrais. Embora tanto a tau quanto a alfa-sinucleína tenham funções neuronais essenciais, sua acumulação patológica é prejudicial.
Os pesquisadores indicam que a interação entre tau e alfa-sinucleína no cérebro feminino intensifica o declínio cognitivo e acelera a progressão do Alzheimer. Kantarci afirmou que esses resultados desafiam a visão do Alzheimer como uma doença homogênea, e que reconhecer as diferenças de sexo pode auxiliar no desenvolvimento de estratégias terapêuticas mais personalizadas. Elijah Mak, primeiro autor do estudo, ressaltou que a identificação desse mecanismo biológico abre caminho para entender a carga desproporcional de demência entre as mulheres.
Essa descoberta está em linha com estudos internacionais que documentaram a presença de depósitos de alfa-sinucleína em até 60% dos casos avançados de Alzheimer. A Associação de Alzheimer dos Estados Unidos enfatiza a importância de aprofundar a pesquisa em biomarcadores e terapias personalizadas, considerando o impacto desproporcional da doença na população feminina.
O avanço da pesquisa sugere uma nova era na medicina de precisão, onde o perfil molecular e o sexo do paciente influenciarão o tratamento. Os pesquisadores continuam a investigar se o mesmo fenômeno ocorre em outras doenças neurodegenerativas associadas à alfa-sinucleína, como a demência com corpos de Lewy. A identificação dessas diferenças permitirá a realização de ensaios clínicos mais específicos e a viabilidade de terapias direcionadas, visando compreender melhor a vulnerabilidade feminina ao Alzheimer e aprimorar o tratamento clínico para grupos de maior risco.
A Mayo Clinic destaca que o próximo passo é determinar se a susceptibilidade observada em mulheres com Alzheimer se repete em outras patologias neurodegenerativas e se fatores genéticos, ambientais ou hormonais podem explicá-la. A Associação de Alzheimer dos Estados Unidos ressalta a necessidade de avançar para abordagens mais personalizadas, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida e o cuidado de milhões de mulheres em todo o mundo.
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