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Evandro Baldino, empresário alvo da OverClean diz ter “comprado” mais de 50 prefeitos

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Conversas atribuídas a Evandro Baldino reforçam suspeitas de pagamento de propina a gestores municipais

Mensagens obtidas com exclusividade pela coluna e atribuídas ao empresário Evandro Baldino do Nascimento (foto em destaque), investigado em múltiplas fases da Operação Overclean, mostram afirmações de que ele teria comprado apoio de prefeitos na Bahia e que já teria “fechado” acordos com dezenas de prefeituras por meio de repasses em dinheiro.

Nas conversas, Baldino afirma a um interlocutor que “já fez 38 municípios” e que estaria avançando para outros 60, em referência a negociações com gestores municipais.

Os pagamentos eram feitos por meio de depósitos em dinheiro, de forma fracionada, em contas indicadas pelos próprios prefeitos.

Em uma das trocas de mensagens, Baldino conversa diretamente com João Vitor, prefeito de Riacho de Santana (BA), investigado na Operação Overclean e que chegou a ser afastado do cargo por decisão judicial.

Baldino pede orientações sobre “como mandar a encomenda” e, em seguida, encaminha imagens de comprovantes bancários.

João Vitor voltou ao cargo após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) e chegou a ser recepcionado com carreata na cidade. Ele nega irregularidades e afirma confiar no esclarecimento dos fatos.

As mensagens passam a integrar o conjunto de elementos analisados pela Polícia Federal em inquéritos que apuram corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, fraude em licitações e desvio de emendas parlamentares.

Quem é Evandro Baldino

Evandro Baldino do Nascimento é ex-presidente da Câmara de Vereadores de Várzea do Poço (BA) e um dos sócios da Construtora Impacto, empresa alvo de mandados de busca na 5ª fase da Operação Overclean.

Ele foi preso na primeira fase da operação, em dezembro de 2024, e posteriormente colocado em liberdade, mas permanece como investigado e aparece em relatórios de diferentes fases da ação policial.

Baldino é suspeito de atuar na articulação logística e operacional de esquemas de fraude em licitações e desvio de recursos em diversos municípios, como Campo Formoso e Oliveira dos Brejinhos, redutos eleitorais ligados a grupos políticos investigados.

Evandro Baldino também é apontado nas investigações como figura próxima ao deputado federal Dal Barreto (União-BA), outro alvo da Operação Overclean.

Segundo apurado pela Polícia Federal em diferentes fases da investigação, Baldino teria atuado na articulação logística e operacional de contratos ligados a municípios baianos que receberam emendas parlamentares.

Mandados já foram cumpridos contra Dal Barreto por ordem do STF, e a PF investiga se houve integração entre o núcleo político e o empresarial no direcionamento de licitações e na execução das obras custeadas com recursos federais.

O que é a Operação Overclean

A Overclean apura um esquema bilionário de desvio de verbas públicas oriundas principalmente de emendas parlamentares, com uso de licitações direcionadas, empresas de fachada, superfaturamento de obras e pagamento de propina a agentes públicos

Somente em uma das fases mais recentes, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 85,7 milhões dos investigados.

A PF afirma que a organização criminosa teria movimentado cerca de R$ 1,4 bilhão em quatro anos.

Entre os alvos da operação estão empresários, prefeitos, vereadores, servidores públicos, operadores financeiros e assessores parlamentares.

Um dos investigados é o deputado federal Félix Mendonça Júnior (PDT-BA). Outro nome citado em relatórios é o deputado Elmar Nascimento (União-BA), que nega irregularidades.

Emendas, obras fantasmas e empresas investigadas

As investigações já apontaram casos de estradas que receberam milhões em emendas e nunca foram asfaltadas, empreiteiras que receberam recursos, mas abandonaram obras e até trabalhadores que ficaram sem pagamento.

Entre as empresas investigadas, estão Allpha Pavimentações, Construmaster (atual Vieira Infraestrutura) e Construtora Impacto, ligada a Baldino.

Segundo a PF, parte do dinheiro público desviado retornava ao esquema em forma de propina, financiamento de campanhas e pagamento direto a agentes públicos.

Mensagens sob análise

A PF já apreendeu celulares, computadores e documentos de operadores do esquema. Em uma das fases, foram encontrados diálogos entre Baldino e assessores políticos discutindo valores, formas de pagamento e divisão de recursos.

Em conversas anteriores, Baldino chega a responder: “Ibipitanga é PIX. Paratinga é PIX. Estou tentando falar com Alan pra ver como vai ser o dele”. Em outro trecho, um interlocutor comemora: “Ibipitanga tá cheio de platita”.

Fonte: metrópoles


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