Uma ex-assessora do Ministério Público da Bahia, vinculada à 13ª Promotoria de Justiça em Juazeiro, formalizou seu desligamento, denunciando abusos e condições de trabalho que, segundo ela, violaram sua dignidade e direitos. Em uma carta endereçada aos colegas, a profissional descreve um ambiente de sobrecarga extrema, ingerência na vida pessoal, assédio moral e a falta de limites entre a vida profissional e familiar.
A Corregedoria-Geral do MP-BA confirmou que recebeu, na última terça-feira, uma notícia de fato protocolada pela ex-servidora e que já está tomando as medidas necessárias para investigar as alegações. No relato, a ex-assessora menciona que, além da carga de trabalho já elevada, foi forçada a assumir demandas de outras promotorias e a acompanhar júris de forma contínua, acumulando funções de maneira excessiva. Ela destaca que o trabalho nos tribunais do júri ia além da preparação técnica, incluindo a elaboração de relatórios extensos e a redação prévia de perguntas para as audiências, com a chefia apenas assinando formalmente sem realizar correções.
A ex-assessora também relata ter enfrentado uma exigência de disponibilidade absoluta, sendo obrigada a atender ligações e mensagens da chefia a qualquer hora e dia da semana. Essa imposição, segundo ela, era justificada pelo recebimento de Regime de Tempo Integral pela chefia, o que teria sido usado para suprimir seu direito à desconexão. Ela menciona ainda uma grave intromissão em sua vida familiar, sendo pressionada a matricular seu filho de dois anos em uma escola de tempo integral, sob ameaça de desligamento. Além disso, foi forçada a acompanhar júris e realizar substituições que a mantinham longe de casa por semanas, sem o pagamento de diárias ou compensações.
A ex-servidora afirma que só poderia gozar férias se todas as promotorias sob sua responsabilidade estivessem com os processos zerados, o que incluía casos com mais de cem processos em andamento. A mesma condição era imposta para a autorização do recesso, criando uma situação inviável diante do volume de trabalho. O ambiente de trabalho é descrito como hostil e degradante, marcado por humilhações públicas e cobranças excessivas, inclusive na presença de estagiários.
Ela expressa em sua carta a consciência de que abusos morais são frequentes no Ministério Público e que muitas vezes não há canais efetivos de proteção para as vítimas. Apesar das dificuldades, a ex-assessora afirma ter atuado com responsabilidade e zelo técnico, finalizando a carta com votos de sorte e serenidade aos colegas.
Além da carta, o Bahia Notícias teve acesso a mensagens trocadas pela ex-servidora, nas quais ela desabafa sobre a falta de acolhimento durante a gravidez. Em resposta, o MP-BA informou que a Corregedoria-Geral já está ciente dos fatos e iniciou os procedimentos para apuração das acusações apresentadas pela ex-servidora. A instituição assegura que está tomando as medidas necessárias para investigar adequadamente as alegações.
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