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Ex-funcionário do Careca do INSS diz à PF que filha de senador Weverton viajou em jatinho do empresário

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Ex-funcionário do Careca do INSS diz à PF que filha de senador Weverton viajou em jatinho do empresário

Um ex-funcionário do empresário e lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", prestou depoimento à Polícia Federal afirmando que uma filha do senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo, viajou em uma aeronave de Antunes. O relato foi feito no dia 12 de novembro e descreve um encontro no aeroporto Catarina, em São Roque, São Paulo, ocorrido em 21 de fevereiro de 2024.

De acordo com a testemunha, ele e Antunes desembarcaram na cidade paulista vindos de Brasília. Após o pouso, o lobista saiu do aeroporto e retornou cerca de duas horas depois com cinco malas. Em seguida, a mulher, identificada pelo depoente como filha do senador, cumprimentou Antunes. Os três partiram juntos para Brasília. Durante o voo, a mulher teria mencionado que vinha do exterior e se lembrava de Antunes de uma fazenda em São Luís, no Maranhão. Ao chegarem à capital federal, duas das cinco malas ficaram com Antunes, enquanto as outras três seguiram apenas com a mulher, com destino final a São Luís.

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A mesma testemunha já havia mencionado anteriormente ligações entre Weverton e Antunes em outros depoimentos à PF. Em 29 de outubro, o ex-funcionário relatou que, após a operação Sem Desconto, que investiga desvios de aposentadorias do INSS, Antunes afirmou estar tranquilo por contar com o apoio do senador, sem detalhar a motivação. Ele também teria comentado que estava "desmontando o circo" em parceria com Weverton. A menção à filha do senador reforça a ligação entre Weverton e Antunes, que é considerado pela PF uma figura central no esquema.

O senador foi alvo de busca em sua residência durante uma fase da operação Sem Desconto, que foi deflagrada em 18 de dezembro. A assessoria do senador declarou que o depoimento do ex-funcionário "sequer foi considerado pela Procuradoria da República pela absoluta falta de materialidade e conexão com fatos em relação a mim". Weverton reiterou que não possui conexões financeiras com os investigados, assim como nenhum membro de sua família.

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A defesa de Antunes contestou a credibilidade da testemunha, alegando que ele "extorquiu, furtou e agora se aproveita da situação para inventar mentiras". O senador é suspeito de ser o beneficiário final e sócio oculto do esquema, utilizando pessoas interpostas, como assessores parlamentares. A polícia indicou que os principais investigados mantinham vínculos estreitos com agentes políticos, especialmente com Weverton, que seria o sustentáculo político do esquema. Essa relação, segundo a PF, aumentaria a capacidade de influência e blindagem institucional do grupo.

A PF chegou a solicitar a prisão do senador ao relator do inquérito no STF, o ministro André Mendonça, mas o pedido foi negado. A Procuradoria-Geral da República também não viu necessidade de prisão. Antunes está preso desde setembro, após investigações que indicaram que ele teria pago propina a servidores do INSS e do Ministério da Previdência para facilitar descontos indevidos nas contas de aposentados.

Em depoimento à CPI do INSS, Antunes afirmou ter ido a um churrasco na casa de Weverton, onde discutiu a regulação da venda de derivados de cannabis, sem relação com os descontos em aposentadorias. Ele também mencionou visitas ao gabinete do senador, mas afirmou não ter conversado diretamente com ele, apenas com Adroaldo Portal, secretário-executivo do Ministério da Previdência na época, que também foi colocado em prisão preventiva domiciliar na mesma operação.

Outro vínculo do senador com o esquema é seu ex-assessor Gustavo Gaspar, que também foi preso. Gaspar teria assinado uma procuração para movimentação de contas bancárias, que foi entregue a Rubens Oliveira, um dos operadores dos descontos irregulares. Integrantes da CPI mencionam ainda uma suposta relação entre as empresas de Weverton e um contador que prestava serviços para Antunes. Além disso, é citado o compartilhamento de um jatinho entre o senador e Antunes. O parlamentar também teria apoiado a indicação de André Fidelis como diretor de Benefícios do INSS, que foi preso em novembro durante a operação.

Weverton ocupa uma cadeira no Senado pelo Maranhão desde 2018, quando foi eleito com 34,91% dos votos válidos, com o apoio do então governador Flávio Dino, atualmente ministro do STF. Quatro anos depois, ele concorreu ao governo maranhense, mas foi derrotado pelo candidato de Dino, o atual governador Carlos Brandão (PSB).


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