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Ex-presidente do BRB quer delação premiada, mas fez um pedido à Justiça; entenda

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Acareação no STF: Defesa de ex-presidente do BRB nega contradições em depoimento sobre fraude de R$ 12 bilhões

O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, que está preso na Operação Compliance Zero, manifestou interesse em colaborar com as investigações. A defesa de Costa protocolou um pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) solicitando sua transferência do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, para um local que possibilite conversas sigilosas com seus advogados. O pedido foi encaminhado ao ministro André Mendonça, que é o relator do caso no STF.

No documento apresentado, os advogados afirmam que Costa deseja cooperar com as autoridades, possivelmente por meio de um acordo de colaboração premiada. Eles destacam que a viabilidade de um acordo depende de três condições que, segundo a defesa, não podem ser atendidas enquanto Costa permanecer na Papuda. A estrutura da unidade prisional e a necessidade de garantir o sigilo das conversas entre cliente e defesa dificultam discussões detalhadas sobre os fatos investigados. Assim, a defesa solicita a transferência para um ambiente que permita a Costa exercer plenamente seu direito à autodefesa, garantindo a confidencialidade nas comunicações.

A petição também menciona que Paulo Henrique Costa é oficial da reserva das Forças Armadas, com a patente de 2º tenente. Os advogados argumentam que essa condição pode assegurar o direito à prisão especial, como a sala de Estado-Maior, onde se encontram outros detentos em situações semelhantes, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, que esteve nesse local entre novembro de 2025 e janeiro de 2026.

Paulo Henrique Costa assumiu a presidência do BRB em 2019, indicado pelo ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha. Durante sua gestão, ele tentou adquirir o Banco Master e foi afastado do cargo em novembro, após uma decisão judicial. Formado em administração de empresas, Costa possui especializações na área financeira em universidades do exterior e mais de 20 anos de experiência no mercado financeiro. Antes de sua atuação no BRB, ele foi vice-presidente de Clientes, Negócios e Transformação Digital da Caixa Econômica Federal.

A Operação Compliance Zero, da qual Costa é alvo, investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro para o pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos. Na quarta fase da operação, foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva e sete mandados de busca e apreensão. A Polícia Federal investiga crimes como corrupção, lavagem de dinheiro, crimes financeiros e organização criminosa. Costa é suspeito de não seguir práticas de governança e de permitir negócios com o Banco Master sem garantias que sustentem seu valor.

Em nota, o governo do Distrito Federal afirmou que os fatos envolvendo Paulo Henrique Costa são de competência do Judiciário. A nova gestão do GDF reafirmou seu compromisso com a transparência, o respeito às instituições e a legalidade, e declarou que continuará colaborando com as instâncias competentes.

O BRB é um banco público controlado pelo governo do Distrito Federal e está envolvido no caso do Banco Master por ter sido o principal interessado na compra da instituição de Daniel Vorcaro. A negociação previa a aquisição de uma participação relevante no Master como alternativa para evitar a quebra do banco, mas o Banco Central vetou a operação, alegando falta de viabilidade econômico-financeira e riscos excessivos ao banco público. Além da tentativa de compra, a Polícia Federal investiga se o BRB adquiriu carteiras de crédito problemáticas do Master, com foco em possíveis falhas nos processos internos de análise, aprovação e governança.


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