O banqueiro baiano Augusto Lima precisou utilizar cerca de R$ 600 milhões de seu patrimônio para honrar os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do Pleno, anteriormente conhecido como Voiter, até a liquidação da instituição financeira, anunciada pelo Banco Central nesta quarta-feira, 18. Lima fez esses aportes na tentativa de manter o banco em funcionamento enquanto buscava um investidor para dar continuidade às operações, mas não obteve sucesso.
O Banco Central decidiu liquidar a instituição após ela ficar sem recursos suficientes para pagar os CDBs que estavam vencendo. Lima estava vendendo ativos pessoais e procurando um investidor, mas sua associação com o escândalo do Master complicou a situação. Com a liquidação, seus bens tornaram-se indisponíveis.
A expectativa de liquidação do banco já era conhecida no mercado financeiro, devido ao elevado volume de CDBs que o Voiter possuía quando foi adquirido por Lima. O empresário assumiu um passivo de R$ 6 bilhões em CDBs ao comprar o Voiter no ano passado, que fazia parte do conglomerado de Daniel Vorcaro. Na ocasião, o Banco Central havia exigido a suspensão da emissão de novos papéis.
A reportagem tentou contato com o Pleno desde a manhã desta quarta-feira, por meio da assessoria de imprensa, mas não obteve resposta até a publicação. Lima chamou a atenção do mercado ao adquirir o Voiter, o que acabou colocando seu patrimônio pessoal em risco em caso de liquidação, fato que se concretizou menos de um ano após sua saída oficial do Master, em 2024.
Com a compra do Voiter, rebatizado como Banco Pleno, Lima assumiu, com seu patrimônio estimado em R$ 1 bilhão, o pagamento do passivo, que inclui uma dívida com a família Resende Barbosa, ex-proprietária do Voiter, anteriormente conhecido como Indusval. Essa dívida foi parte das negociações de venda do banco e foi analisada pelo Banco Central, segundo fontes que preferiram não se identificar. O uso de seu patrimônio pessoal reduzirá o custo que o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) terá para ressarcir os investidores dos CDBs do Pleno após a quebra da instituição.
O Pleno é mais uma instituição financeira, diretamente ou indiretamente ligada ao Master, a passar por liquidação. Desde novembro do ano passado, outras entidades, como Will Bank, Lestbank e a gestora Reag Investimentos, também foram liquidadas após a operação Compliance Zero, que resultou na prisão de Vorcaro e Lima. Ambos foram liberados dias depois, utilizando tornozeleira eletrônica.
O Banco Central aprovou a venda do Voiter para Lima em julho de 2025, enquanto analisava a venda do Master para o Banco de Brasília (BRB). A venda da participação de Lima no Master não necessitou de aprovação do Banco Central, conforme a legislação vigente. No entanto, a compra do Voiter, uma parte significativa do conglomerado de Vorcaro, exigiu análise da autoridade reguladora do sistema bancário.
Na época da análise, Lima não era investigado por suspeitas de fraude contra o sistema financeiro, embora já houvesse indícios no Banco Central de que o Master havia vendido carteiras falsas de crédito consignado. Após a liquidação, Lima foi afastado do banco, que passou a ter nova direção sob a presidência de Ronaldo Vieira Bento. Sua esposa, Flávia Peres, anteriormente conhecida como Flávia Arruda, estava, na prática, gerenciando o banco. Ela é ex-deputada federal e ex-ministra de Jair Bolsonaro.
No plano de negócios apresentado à diretoria de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do Banco Central, liderada por Renato Gomes, foi exigido que o banco não emitisse novos CDBs para não aumentar a exposição do FGC. Também foram solicitados aportes de capital pelo novo controlador para sustentar o patrimônio do Voiter. O Banco Central nomeou José Eduardo Victória como liquidante da instituição. Augusto Lima é vinculado ao PT da Bahia e é considerado o responsável pelo desenho das operações de crédito consignado para servidores do estado, por meio do cartão Credcesta.
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