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Família de Moraes comprou R$ 23,4 milhões em imóveis nos últimos cinco anos e triplicou patrimônio

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Família de Moraes comprou R$ 23,4 milhões em imóveis nos últimos cinco anos e triplicou patrimônio

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, registraram um aumento de 266% em seu patrimônio imobiliário desde que ele assumiu o cargo, em março de 2017. Atualmente, o casal possui 17 imóveis, avaliados em R$ 31,5 milhões. Nos últimos cinco anos, foram investidos R$ 23,4 milhões na compra de imóveis em Brasília e São Paulo, todos adquiridos à vista, conforme os registros em cartório.

Desde o dia 27 de março, Moraes e Viviane foram contatados por suas assessorias de imprensa para comentar sobre essas informações, mas não houve resposta. Os dados foram obtidos pelo Estadão a partir dos contratos de compra registrados em cartório, considerando os preços nominais pagos pelo casal na aquisição de suas propriedades, que incluem casas, terrenos, apartamentos e salas comerciais.

O patrimônio atual do casal é mais de três vezes superior aos R$ 8,6 milhões que possuíam em 12 imóveis quando Moraes foi indicado para o STF pelo ex-presidente Michel Temer. Em 2017, antes de assumir a vaga, o ministro recebia cerca de R$ 33 mil. Atualmente, seu salário é de R$ 46 mil, representando um aumento de 39%. Antes disso, Moraes ocupou cargos como ministro de Estado e membro do Ministério Público, com vencimentos próximos ao teto do funcionalismo público.

Viviane é sócia-administradora do Barci de Moraes Advogados, escritório que mantém em sociedade com os filhos Alexandre e Giuliana. Desde que Moraes se tornou ministro, o número de ações de Viviane em tribunais superiores aumentou de 27 para 152, abrangendo processos no STF e no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

O levantamento do Estadão incluiu matrículas de imóveis em cartórios de São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal. Os documentos mostram que o casal gastou R$ 34,8 milhões na aquisição de 27 imóveis nos últimos 29 anos. Parte desses imóveis foi vendida, o que explica a diferença entre os gastos e o valor atual de R$ 31,5 milhões.

O crescimento patrimonial mais significativo ocorreu nos últimos anos, com Moraes no STF e envolvido em investigações polêmicas, como a relatoria do inquérito das fake news. Desde 2021, o casal investiu R$ 23,4 milhões, o que representa mais de 67% de todos os investimentos nominais no mercado imobiliário ao longo de quase três décadas.

A maior parte das transações foi realizada por meio do Lex Instituto de Estudos Jurídicos, uma empresa criada para administrar os bens da família. Embora Moraes não seja formalmente sócio, ele é casado com Viviane sob o regime de comunhão parcial de bens, o que inclui os bens adquiridos durante o casamento no patrimônio comum.

Algumas aquisições mais antigas foram transferidas para a empresa familiar, enquanto outras foram compradas diretamente pelo Lex. A compra mais recente foi um apartamento de 86 metros quadrados no Jardim Paulista, em São Paulo, adquirido por R$ 1,05 milhão, com pagamentos realizados em fevereiro e março deste ano.

A empresa também adquiriu uma mansão de 776 metros quadrados no Lago Sul, área nobre de Brasília, por R$ 12 milhões em agosto do ano passado. O pagamento foi feito em duas parcelas de R$ 6 milhões. Quatro meses antes, o casal comprou um apartamento em Campos do Jordão, somando 727 metros quadrados, por R$ 8 milhões.

Na capital paulista, os Moraes possuem sete imóveis, incluindo dois apartamentos no Jardim América, comprados em 2021 por R$ 3 milhões cada. As escrituras confirmam que as aquisições foram feitas à vista. A família também possui quatro lotes em São Roque, totalizando 1.250 metros quadrados.

A recente expansão patrimonial coincide com a ampliação do escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados. Em 2025, o escritório adquiriu uma sala comercial no Edifício Terra Brasilis, em Brasília, por R$ 350 mil, visando estabelecer um ponto fixo para sua filial. Além disso, a banca detém 4% de participação em uma sala no edifício Diâmetro, na Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo.

O escritório passou a ser alvo de críticas após a divulgação de um contrato com o Banco Master, no valor de R$ 129 milhões por três anos. Em nota, o Barci de Moraes Advogados explicou que Viviane prestou serviços jurídicos nas áreas de compliance e direito criminal ao banco, com pagamentos de R$ 3,6 milhões mensais. Ao todo, o escritório faturou pelo menos R$ 75,6 milhões com a instituição financeira, que está sob investigação no STF.

Antes das aquisições recentes, entre 1997 e 2014, Moraes e Viviane gastaram R$ 12,2 milhões na compra de 25 imóveis. Parte dos negócios da família envolveu advogados com atuação no STF. Em março de 2024, Moraes e Viviane venderam um apartamento e uma vaga de barco no Guarujá por R$ 1,4 milhão. Os compradores eram Maria Erotides Antunes e Persio Vinicius Antunes, advogado com ações na Corte.

Três anos antes, Moraes concedeu um habeas corpus a um cliente de Persio, que estava preso por estelionato. O advogado afirmou não ter relação pessoal com o ministro e que a compra foi feita de uma pessoa jurídica, não relacionada a Moraes. A sala comercial do escritório de Viviane, em Brasília, foi adquirida em 2025 junto a uma advogada que atua no STF, mas que nunca teve processos sob a relatoria de Moraes.


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