A família de Daniel Vorcaro está tentando estabelecer um negócio bilionário de créditos de estoque de carbono na Amazônia, mas enfrenta um imbróglio que envolve R$ 15 milhões pagos por terras contestadas, além de promessas de repasses em dinheiro e a entrega de cotas de fundos que, segundo Marco Antonio Melo, o suposto proprietário da área, "não valem nada". Melo está em disputa com a União pelo título da terra localizada em Apuí (AM) e afirma ter recebido um "sinal" de R$ 15 milhões para que a Fazenda Floresta Amazônica, que alega ser sua, fosse utilizada para a geração de créditos de estoque de carbono. Os créditos seriam originados das árvores, raízes e todo material biológico presente na fazenda.
O projeto, no entanto, não avançou devido à falta de valor desses créditos no mercado de carbono. Recentemente, uma das empresas envolvidas no pagamento, controlada pelo pai e pela irmã de Daniel Vorcaro, indicou que deseja reaver o dinheiro. Em entrevista à Folha, Melo afirmou que recebeu o valor por meio de depósitos bancários, com José Antônio Ramos Bittencourt atuando como intermediário. Ele mencionou que o acordo previa novos repasses em dinheiro, mas que recebeu cotas de participação em fundos gerenciados pela administradora Reag, que apresentavam valores inflacionados de ativos de duas empresas, a Global Carbon e a Golden Green, avaliadas em R$ 45,5 bilhões.
Melo expressou sua insatisfação, afirmando que as cotas recebidas não têm valor. Ele não sabia que a família Vorcaro estava por trás do projeto no momento do negócio. O contrato foi firmado entre ele e Bittencourt, com um valor antecipado de R$ 15 milhões. Embora o contrato fosse com Bittencourt, os pagamentos foram feitos por outras empresas, incluindo a Alliance e a ABM Participações. A Alliance é controlada por Henrique Moura Vorcaro e Natália Bueno Vorcaro Zettel, que são pai e irmã de Daniel Vorcaro, respectivamente. Ambos negam envolvimento no negócio de carbono.
Melo afirmou que se sentiu enganado, pois a promessa inicial era de receber 12 parcelas em dinheiro, correspondentes a 10% dos negócios com o estoque de carbono. No entanto, ele recebeu apenas cotas de participação em fundos, que não têm valor de mercado. Ele criticou a avaliação inflacionada dos ativos, afirmando que não têm valor real.
Em agosto de 2022, um contrato de opção de compra e venda foi assinado entre a Alliance, Melo e Bittencourt. Com esse acordo, a Alliance se tornou a proprietária majoritária das unidades de carbono associadas à Fazenda Floresta Amazônica, detendo 80% da produção, enquanto Bittencourt ficou com 20%. As empresas Golden Green e Global Carbon, controladas por fundos da Reag, foram avaliadas em R$ 14,5 bilhões e R$ 31 bilhões, respectivamente, mesmo sem vender créditos.
Melo esperava receber 10% do valor da Global Carbon, avaliada em R$ 26 bilhões em 2024, o que corresponderia a R$ 2,6 bilhões em dinheiro. No entanto, ele afirma que foi enganado e recebeu cotas de fundo, com a promessa de que essas cotas se tornariam dinheiro quando os créditos fossem vendidos. A Alliance, em nota, afirmou que Melo recebeu pelo arrendamento de um terreno que, posteriormente, foi identificado como uma terra pública. A empresa busca ressarcimento pelos valores pagos e pelas perdas e danos.
Melo defende a legitimidade de sua terra, apresentando a escritura do imóvel. Ele alega que a sobreposição com a área pública do Incra, destinada à reforma agrária, era de conhecimento de Bittencourt desde 2022. O Incra declarou que a área é da União e que os negócios são irregulares, causando danos à União. A autarquia informou que medidas administrativas e judiciais estão sendo adotadas para resolver a situação.
Bittencourt, por sua vez, afirmou que já prestou todas as informações sobre a regularização dos ativos ambientais. Ele destacou que o projeto foi interrompido devido a questões fundiárias, o que suspendeu os pagamentos subsequentes. Sua assessoria ressaltou que ele não é representante da Alliance e não tem relação com as investigações envolvendo a Reag e o banco Master.
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