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Flávio Bolsonaro ajusta tom e faz acenos a LGBTs, negros e Carnaval mirando o centro

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Flávio Bolsonaro ajusta tom e faz acenos a LGBTs, negros e Carnaval mirando o centro

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, está ajustando seu discurso e suas publicações nas redes sociais para corrigir uma percepção considerada errônea entre os eleitores, conforme afirmam seus aliados. Ele já se posicionava como uma alternativa mais moderada em relação ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mas a mudança na comunicação foi intensificada após pesquisas internas indicarem que um público moderado estava receoso com a suposta associação de Flávio ao militarismo, uma carreira da qual ele nunca fez parte. A equipe do senador agora defende a necessidade de um movimento ao centro, visando alcançar um eleitorado além da direita ideológica.

Os aliados de Flávio buscam maneiras de dissociá-lo do militarismo e se conectar com um público que rejeita discursos mais agressivos. Em entrevistas qualitativas, o senador é frequentemente reconhecido apenas como "filho de Jair Bolsonaro" por um grupo de eleitores que pode ser crucial para sua vitória contra o PT em outubro. Recentemente, Flávio fez publicações em defesa do carnaval e da luta antirracismo do jogador Vinicius Júnior, atacante da seleção brasileira, além de apoiar uma mensagem do irmão Eduardo voltada à comunidade LGBT.

Após uma denúncia de racismo feita por Vinicius Júnior durante uma partida entre o Real Madrid e o Benfica, Flávio expressou seu apoio ao jogador, afirmando que não se pode permitir que o racismo silencie um dos maiores talentos do futebol brasileiro. Ele também abordou a homenagem feita pela escola de samba Acadêmicos de Niterói ao presidente Lula em seu enredo, o que gerou críticas da oposição, que considera a situação uma propaganda eleitoral antecipada, proibida por lei.

Em uma mensagem publicada nas redes sociais no dia 16, Flávio se dirigiu a pessoas que não se identificam nem com Bolsonaro nem com Lula, criticando o desfile da escola de samba. Ele afirmou que o carnaval é cultura e tradição, e não deve ser utilizado para atacar a fé de milhões de brasileiros. A escola de samba, que homenageou Lula, foi rebaixada no dia seguinte.

No dia 18, Flávio voltou a falar sobre o carnaval, exaltando a festa e mencionando os principais locais de celebração, como a Marquês de Sapucaí no Rio de Janeiro e o sambódromo do Anhembi em São Paulo. Ele destacou o trabalho de milhares de pessoas envolvidas na realização do evento e elogiou a criatividade do Brasil.

Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal e irmão de Flávio, também se envolveu na estratégia, compartilhando uma publicação de um apoiador gay que afirmava que Flávio apoia a liberdade de todos. A postagem incluía uma imagem gerada por inteligência artificial mostrando um apoiador dando um beijo na bochecha de Flávio, com uma bandeira LGBT ao fundo.

Aliados de Flávio sugerem que ele faça uma viagem ao Norte do país para se encontrar com povos tradicionais, como parte de uma tática para demonstrar moderação. O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, nega que o discurso seja uma estratégia calculada. Ele afirma que Flávio é um senador com experiência política e sensibilidade, e que suas declarações refletem espontaneidade.

O discurso de Flávio contrasta com o utilizado por Jair Bolsonaro nos anos anteriores à sua presidência, quando o ex-presidente adotou um tom mais agressivo. Críticos frequentemente relembram declarações ofensivas de Jair, incluindo comentários sobre comunidades negras, LGBT e femininas. Durante o carnaval de 2019, o então presidente compartilhou uma imagem polêmica e fez comentários sobre a folia, enquanto em 2017 foi processado por racismo devido a uma declaração depreciativa sobre afrodescendentes. Jair Bolsonaro também enfrentou condenações por declarações homofóbicas, incluindo comentários sobre ter um filho gay.


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