N/A

Flávio chega aos EUA sem confirmação de agenda com Trump

3 views
Flávio chega aos EUA sem confirmação de agenda com Trump

O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegou a Washington nesta segunda-feira (25) em busca de uma reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Contudo, o encontro ainda não foi confirmado pela Casa Branca. De acordo com interlocutores, a reunião, agendada para terça-feira (26), teria sido organizada a partir de um convite do governo americano. No site do Senado, não há registros de ofícios de Flávio informando sobre a viagem, o que é uma prática comum antes de deslocamentos ao exterior. A assessoria do pré-candidato afirma que o ofício foi protocolado, mas não está disponível para consulta.

A viagem ocorre em um momento delicado para Flávio, após a divulgação de áudios pelo Intercept Brasil, nos quais ele solicita ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, apoio financeiro para o filme "Dark Horse", que retrata o ex-presidente Jair Bolsonaro. Embora assessores do senador minimizem os impactos da crise, a primeira pesquisa Datafolha divulgada após o episódio mostra uma queda nas intenções de voto para Flávio. Lula ampliou sua vantagem de três para nove pontos percentuais, agora com 40% das intenções, enquanto Flávio aparece com 31%. Na pesquisa anterior, os dois estavam em empate técnico, com Lula registrando 38% e Flávio 35%. No segundo turno, a vantagem de 45% para 45% foi substituída por 47% a 43% para Lula.

Fontes próximas ao senador indicam que ele deve estar acompanhado em Washington por seu irmão, Eduardo Bolsonaro, e pelo empresário Paulo Figueiredo. Ambos têm atuado nos Estados Unidos em articulações com setores conservadores e, no ano passado, pressionaram por sanções contra membros do governo brasileiro e ministros do STF. Nas redes sociais, Figueiredo comentou que a imprensa trata o encontro com Trump como especulação, ressaltando que nem a campanha nem a Casa Branca confirmaram ou negaram a reunião. Ele afirmou que Flávio está em Washington para uma série de reuniões de alto nível e que mais informações serão divulgadas em breve.

Uma possível reunião entre Flávio e Trump ocorreria três semanas após o encontro entre o presidente americano e Lula. Integrantes do governo federal afirmam não ver motivos para barrar a agenda, que é considerada uma tentativa do senador de gerar um fato político positivo em meio à crise do "Dark Horse". Entretanto, auxiliares do governo expressam que qualquer gesto interpretado como interferência externa no processo eleitoral brasileiro seria respondido de forma rápida e contundente.

Entre os aliados de Flávio, há cautela em relação à divulgação antecipada da reunião. Interlocutores do senador manifestam receio de um cancelamento de última hora, uma vez que Trump está focado na guerra envolvendo o Irã e nas negociações com Teerã. Nos bastidores, a viagem é vista como uma aposta de alto risco, com uma estratégia de "tudo ou nada" para reposicionar a pré-candidatura.

Nesta semana, deputados federais, estaduais, vereadores e pré-candidatos do PL se reuniram em Dallas para um encontro com Eduardo Bolsonaro, na região onde ele reside. Entre os participantes estavam Gil Diniz (PL), Lucas Bove (PL), Paulo Mansur (PL) e Cristiano Caporezzo (PL). Essas reuniões são frequentes, e alguns participantes já realizaram três viagens aos Estados Unidos para se encontrar com Eduardo. Embora não tivessem planos de comparecer, decidiram viajar para os EUA em razão do escândalo do Banco Master, buscando demonstrar unidade entre a base.

Os participantes afirmam que custeiam as viagens com recursos próprios, parcelando passagens no cartão de crédito e economizando em hospedagem e alimentação. Segundo eles, os encontros são valiosos para estreitar laços com Eduardo Bolsonaro e gerar conteúdo para redes sociais, aumentando o alcance e o engajamento político. Contudo, o grupo não é homogêneo em relação a Flávio. Parte dos aliados acredita que a crise do "Dark Horse" foi esclarecida e que não houve irregularidade no pedido de apoio financeiro feito por Flávio a Vorcaro, já que ocorreu antes das suspeitas sobre o ex-banqueiro. Outros, no entanto, reconhecem que o senador lidou mal com a situação e criticam sua negativa ao Intercept sobre a relação com Vorcaro.

Nos bastidores, aliados relatam que a relação com Eduardo Bolsonaro, mesmo vivendo nos Estados Unidos, é mais próxima do que com Flávio. Parte da militância sente falta de uma interlocução direta com o senador, embora continue a defendê-lo nas redes sociais. Aliados também veem a ida aos Estados Unidos como uma demonstração de lealdade política a Eduardo, que está fora do Brasil há cerca de um ano. Nas redes sociais, os participantes compartilharam fotos e vídeos com o ex-deputado, autodenominando-se "Eduardistas" e defendendo os encontros como essenciais para manter a base unida e para a articulação política e definição de futuras candidaturas.


Descubra mais sobre Euclides Diário

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

WP2Social Auto Publish Powered By : XYZScripts.com
Rolar para cima