O Fórum Econômico Mundial divulgou, nesta quarta-feira, o Relatório de Riscos Globais, que projeta um ambiente instável e um mundo próximo de um ponto crítico. O documento destaca as consequências adversas da inteligência artificial como um problema de longo prazo para os negócios. No curto prazo, as tensões entre grandes potências e os impasses estratégicos no cenário internacional são apontados como ameaças significativas.
O relatório foi baseado em entrevistas com cerca de 1.300 líderes de governos, empresas e organizações civis. Metade dos entrevistados prevê um período de forte turbulência nos próximos dois anos, enquanto apenas 1% acredita em um cenário de estabilidade, evidenciando a fragilidade da economia e da política globais. O "confronto geoeconômico" é classificado como a principal preocupação empresarial para o curto prazo, com a rivalidade entre países e o uso estratégico de tarifas e restrições podendo levar a uma retração do comércio internacional. Essa situação aumenta a incerteza e o risco de choques econômicos.
Saadia Zahidi, diretora-gerente do Fórum, ressaltou que os conflitos armados e seus desdobramentos são uma preocupação central. Em entrevista à CNBC, ela mencionou que quase um terço dos participantes do estudo expressou forte preocupação com o impacto desses conflitos na economia global e na estabilidade mundial até 2026. As ameaças econômicas foram a categoria que mais cresceu em relação ao relatório anterior, com temores de recessão, inflação persistente e bolhas financeiras em um contexto de alto endividamento público e mercados voláteis.
A desinformação é identificada como a segunda maior ameaça de curto prazo, seguida pela polarização social. Na lista de riscos a longo prazo, que abrange a próxima década, os "eventos climáticos extremos" ocupam o primeiro lugar, seguidos pela "perda de biodiversidade/colapso do ecossistema", "mudanças críticas nos sistemas terrestres" e "desinformação". As "consequências adversas das tecnologias de IA" aparecem em quinto lugar, refletindo um aumento nas preocupações relacionadas à tecnologia, que subiu do 30º lugar no ano passado para o top 5 este ano.
O relatório alerta que a automação e o deslocamento de trabalhadores podem aumentar a desigualdade de renda, reduzir o consumo e alimentar ciclos de instabilidade econômica e insatisfação social, mesmo com ganhos de produtividade. Além disso, destaca a convergência entre aprendizado de máquina e computação quântica, criando um ambiente tecnológico complexo que pode resultar em situações em que os humanos perdem o controle.
Zahidi enfatizou que, apesar das crises imediatas, como guerras prolongadas e inflação, o risco climático permanece uma ameaça estrutural. Ela apontou a diminuição do poder coletivo e da disposição política para agir como um problema central. Se não houver ação, fenômenos extremos, como ondas de calor e incêndios florestais, se tornarão mais frequentes e intensos. O relatório conclui que alianças entre governos, empresas, universidades e sociedade civil serão essenciais para enfrentar os grandes desafios globais.
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