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Fundo virou pó, documentos sumiram e informações falsas: o que a PF apurou sobre fraudes do Master

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O inquérito da Polícia Federal sobre os crimes financeiros do Banco Master, na segunda fase da Operação Compliance Zero, já traçou o caminho das fraudes financeiras que visavam desviar recursos para o patrimônio pessoal de Daniel Vorcaro. A investigação constatou que a crise de liquidez do banco foi uma consequência previsível e planejada de uma gestão focada na transferência fraudulenta de capital. Essa é uma das linhas de apuração da PF, que também investiga irregularidades na relação do banco com o Banco Regional de Brasília (BRB) e a contratação de influenciadores para atacar autoridades.

Vorcaro foi preso na semana passada por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, que é o relator dos casos. A defesa do banqueiro não se manifestou quando contatada. A estratégia financeira fraudulenta identificada pela PF envolveu a captação de recursos por meio da emissão de Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) com remuneração acima da média do mercado. Esses recursos eram alocados em fundos de investimentos ou empresas supervalorizadas artificialmente. Após várias transferências, os valores chegavam a empresas ou fundos relacionados a Vorcaro, seus aliados e familiares.

A investigação revelou um padrão alarmante nos Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs). Empresas que cediam direitos creditórios, muitas vezes com capital social inferior a R$ 100 mil, emitiam dívidas que totalizavam centenas de milhões de reais, integralmente adquiridas pelos fundos do Banco Master. Entre as fraudes, um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios teve um prejuízo de 99% e "virou pó", com desvio dos recursos captados. Além disso, a falta de documentação de movimentações financeiras de outro fundo impediu a realização de um relatório de auditoria independente.

Um dos casos sob suspeita é o MN I Fundo de Investimento em Direitos Creditórios. A PF apontou que as empresas que cederam créditos ao fundo têm capital social inferior a R$ 100 mil e vínculos com uma empresa da família de Vorcaro. O relatório de auditores independentes sobre as demonstrações financeiras desse fundo indicou que R$ 275 milhões em aplicações, correspondendo a 63,72% do patrimônio líquido, não tinham documentação que comprovasse os repasses. A abstenção de opinião do auditor sobre as demonstrações contábeis do fundo foi considerada um indicativo de gravidade excepcional, pois não foi possível obter evidências suficientes para validar as informações apresentadas.

Outro caso, o FIDC Alvarinho, também foi considerado grave. A PF informou que o principal cotista era o Banco Master, enquanto os créditos do fundo foram cedidos por uma empresa do sobrinho de um dos sócios do banco. A investigação sugere que essa operação poderia ser uma forma de transferir recursos do banco para os diretores principais, evidenciando uma gestão fraudulenta. Em agosto de 2025, o fundo anunciou uma perda de 99,45% do patrimônio líquido, indicando que os recursos aplicados na empresa do sobrinho do dono do Master foram praticamente consumidos.

A PF também descobriu que o banco de Vorcaro forneceu informações falsas ao Banco Central, não apenas em relação às transações com o BRB, que é objeto da primeira fase da Compliance Zero. O Master é acusado de fornecer dados incorretos para fraudar seu Índice de Basileia, que mede a saúde financeira da instituição. O banco entregou informações erradas no Demonstrativo de Limites Operacionais de dezembro de 2023, atribuindo um fator de exposição de risco de 0% para ativos problemáticos. Essa irregularidade permitiu ao banco realizar um volume significativo de operações sem a devida alocação de capital, mascarando a situação de não conformidade com os limites regulamentares de capital, já que o índice de Basileia cairia de 11,52% para 9,12%, abaixo do mínimo exigido de 10,50%.


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