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Governador interino do RJ admite ter assumido ‘abacaxi’ e promete demitir 6 mil não concursados

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Governador interino do RJ admite ter assumido 'abacaxi' e promete demitir 6 mil não concursados

O governador em exercício do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, recebeu a equipe do Estadão na tarde da última quarta-feira, 3, em sua sala na presidência do Tribunal de Justiça do Rio, onde realiza suas atividades diárias. Couto assumiu o governo fluminense no final de abril e visita o Palácio Guanabara apenas para reuniões e despachos específicos. Durante uma conversa que durou mais de duas horas, ele revelou que nunca imaginou ocupar a cadeira de governador, mas pretende realizar pelo menos 6 mil exonerações de servidores não concursados. O governador estima que já economizou pouco mais de R$ 2 bilhões com cortes de pessoal e acredita que o Estado do Rio “tem jeito” e que a solução é “fácil”.

Couto explicou que já mapeou e bloqueou R$ 1,4 bilhão de um total de R$ 3 bilhões que o Rioprevidência, fundo de aposentados e pensionistas do Estado, investiu no Banco Master. Ele espera recuperar “pelo menos” 80% desse valor. Em relação à sua rotina, Couto afirmou que é bastante puxada, acordando de madrugada todos os dias. Ele mencionou a situação de dupla vacância do Executivo, que resultou em sua ascensão ao cargo, e a complexidade jurídica que envolve a transição de poder.

O governador destacou que sua visão de gestão é diferente da do ex-governador Cláudio Castro, priorizando a valorização de servidores concursados e a melhoria das condições de trabalho no Judiciário. Ele mencionou que, ao assumir, encontrou servidores comissionados sem justificativa para suas funções e iniciou um processo de exoneração, o que resultou em uma economia significativa. Até a data da entrevista, Couto já havia promovido 3.072 exonerações e acredita que esse número pode ultrapassar 6 mil, o que representaria cerca de 4% dos servidores não concursados.

Couto também abordou a questão da remuneração dos professores, que, segundo ele, é insuficiente para garantir a atualização profissional. Ele se posicionou a favor de um salário digno, afirmando que sua remuneração líquida no mês anterior foi de R$ 84 mil, embora sua expectativa atual seja de cerca de R$ 58 mil. O governador defendeu a necessidade de uma gestão responsável e a importância de se evitar gastos excessivos, especialmente em ano eleitoral.

Sobre a corrupção, Couto reconheceu que é um problema persistente na sociedade e que deve ser combatido em todas as esferas. Ele também comentou sobre as dificuldades enfrentadas pelo Rioprevidência e as medidas que estão sendo tomadas para recuperar os recursos investidos no Banco Master. Couto mencionou que a Cedae já aportou R$ 220 milhões e que a expectativa é resgatar ao menos R$ 1,4 bilhão.

Em relação à expansão das milícias, o governador expressou sua preocupação com a ingerência externa e defendeu que o Brasil e o Rio têm condições de enfrentar suas próprias mazelas sem intervenção estrangeira. Couto finalizou a entrevista afirmando que, apesar dos desafios, está comprometido em buscar soluções para os problemas do Estado e que a gestão pública deve ser feita com responsabilidade e transparência.


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