A articulação política do governo estadual ainda não entregou os pontos em relação à saída do senador Angelo Coronel do PSD e da base de Jerônimo Rodrigues (PT). Neste final de semana, os principais líderes petistas dispararam telefonemas para o deputado federal Diego Coronel (PSD), um dos herdeiros do senador, para tentar convencê-lo a permanecer no grupo.
De quebra, num dos telefonemas o deputado ouviu de novo a proposta para que dispute a vice na chapa de Jerônimo e sugira ao pai concorrer à vaga de deputado federal. A preocupação com o impacto político do apoio de Coronel ao candidato a governador das oposições, ACM Neto (União Brasil), tem levado setores do governo a tentar negociar a manutenção do senador e de seus filhos no grupo.
Durante sua passagem hoje pela manhã na Festa de Yemanjá, no Rio Vermelho, o governador evitou dar a saída de Coronel do grupo como fato consumado. “Nós não encerramos esse processo ainda. Ainda está no âmbito do PSD. O senador Otto tem dirigido isso com tranquilidade, tentando achar uma saída para que a gente não possa perder ninguém. Não é interesse nosso”, afirmou.
Vendo a vaga do MDB na chapa de Jerônimo entrar na mesa de propostas em torno da tentativa de impedir a saída de Coronel do grupo, o presidente do partido na Bahia, Geddel Vieira Lima, encontrou-se com o senador este final de semana em Praia do Forte e lhe propôs entrar na agremiação junto com os dois filhos – o outro é o deputado estadual Angelo Filho.
A saída de Coronel do grupo de Jerônimo foi precipitada pela entrada no partido do pré-candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado, muito ligado a ACM Neto. A partir do fato, Coronel marcou um encontro com a família e o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, para discutir seu impacto na Bahia, levando o presidente regional, o senador Otto Alencar, a ver na iniciativa uma tentativa de golpeá-lo.
Ao reagir contra Coronel, Otto acabou forçando o senador a anunciar seu desligamento do PSD. Antes, Coronel havia recebido a proposta do senador Jaques Wagner (PT) de ser inscrito como suplente de sua recandidatura ao Senado, o que foi visto como uma tentativa de humilhar publicamente o senador. A proposta foi reforçada em entrevista pelo ministro Rui Costa (Casa Civil), que vai também tentar a vaga ao Senado.
Rui chegou a dizer que a suplência de um senador equivalia a um cargo de ministro, o que foi considerado uma piada de mau gosto nos meios políticos.
Esta manhã, em entrevista exclusiva a este Política Livre, o senador confirmou que está se despedindo do grupo, mas ressalvou que não guarda mágoa de Otto. Fiel ao estilo bem humorado, ainda disse que aguarda o colega votar nele para o Senado. Os dois são amigos há 40 anos e compadres, o que não impediu que as desavenças políticas os levasse a quase romper a amizade.
“Espero que ele (Otto) volte atrás e vote em mim para senador”, disse Coronel, revelando não ter mágoa do correligionário.
Fonte: Política Livre
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