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Ibaneis tenta se descolar de Master e atribui responsabilidade a ex-presidente do BRB

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Ibaneis tenta se descolar de Master e atribui responsabilidade a ex-presidente do BRB

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), tem mantido a mesma linha de defesa desde o ataque golpista de 8 de janeiro. Ele afirmou a aliados que, no caso do Banco Master, confiou apenas no ex-presidente do BRB (Banco de Brasília), Paulo Henrique Costa. Este executivo é alvo de investigação pela Polícia Federal devido a operações realizadas pelo BRB com o Banco Master, que pertence ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Integrantes do governo e um dirigente partidário relataram que Ibaneis se mostra tranquilo, mesmo com o avanço da investigação, pois acredita na avaliação de Paulo Henrique sobre o Banco Master. Após o ataque de 8 de janeiro, o governador declarou que confiou nas informações do então secretário interino de Segurança Pública, Fernando Oliveira, e atribuiu a falha ao ex-secretário de Segurança Pública, Anderson Torres, que está preso.

Ibaneis tem utilizado sua relação com o secretariado como exemplo em relação a Paulo Henrique. Ele afirma que costuma delegar tarefas e confiar nas decisões de seus subordinados. Para ele, Paulo Henrique elevou o Banco de Brasília a um novo patamar e, por isso, não havia razão para questionar a decisão do BRB de adquirir o Banco Master.

Com as novas informações sobre a conduta do executivo e a crise envolvendo o Master, Ibaneis expressou surpresa com os desdobramentos da investigação e a necessidade de injetar recursos no BRB para cobrir prejuízos, que, segundo o depoimento do diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, estão estimados em R$ 5 bilhões.

Na última semana, após ser informado sobre uma conversa com Daniel Vorcaro, Ibaneis declarou à TV Globo que seu único erro foi confiar em Paulo Henrique. Ele afirmou que, em suas quatro reuniões com Vorcaro, não discutiu assuntos relacionados ao BRB/Master. "Entrei mudo e saí calado. O único erro meu foi ter confiado demais no Paulo Henrique", disse o governador.

Após a operação que resultou no afastamento de Paulo Henrique e na prisão de Vorcaro, em novembro do ano passado, Ibaneis reconheceu que houve "excesso de confiança" e que o ex-presidente do BRB precisaria se explicar. "Eu debito essa operação que aconteceu e esse fato que aconteceu com o ex-presidente Paulo, que eu tenho por ele um carinho enorme e uma confiança enorme, ao excesso de confiança no crescimento do banco. Mas isso ele que vai ter que se explicar com as autoridades competentes", afirmou a jornalistas.

Procurado pela Folha, Paulo Henrique optou por não comentar informações repassadas por terceiros e destacou que o tema foi abordado em seu depoimento à Polícia Federal, que foi divulgado na íntegra na quinta-feira (29). A defesa de Paulo Henrique afirmou que ele deseja apresentar uma defesa técnica baseada em fatos e se mostrou incomodado com a tentativa de associar o BRB ao Banco Master. A nota divulgada pela defesa esclarece que as aquisições de carteiras de crédito do Banco Master começaram em julho de 2024 e sempre se inseriram nas atividades bancárias regulares, conforme o planejamento estratégico aprovado.

Tanto o Governo do Distrito Federal quanto o BRB alegam ter sido vítimas na operação de compra do Master. Um auxiliar de Ibaneis mencionou que houve um erro de avaliação por parte do governo, que apostou em transações que se mostraram ineficientes e, posteriormente, irregulares.

Apesar de ter sido afastado do governo após o ataque de 8 de janeiro de 2023, Ibaneis enfrenta a maior crise política desde que assumiu o cargo em 2019, segundo parlamentares do Distrito Federal. O governador é pré-candidato ao Senado e busca apoiar sua vice-governadora, Celina Leão (PP), como sucessora. Na terça-feira (27), ele reafirmou sua intenção de disputar uma vaga no Senado e expressou confiança em seu projeto político.

Em depoimento à Polícia Federal em 30 de dezembro, Paulo Henrique afirmou que "costumeiramente prestava contas" ao acionista controlador, que é o Governo do Distrito Federal, representado por Ibaneis. Ele ressaltou que sempre comunicou as iniciativas do banco e que não levaria adiante uma operação sem informar o acionista controlador.

Enquanto a compra do Banco Master pelo BRB ainda estava sob análise do Banco Central, Ibaneis criticou opositores e defendeu o negócio. Em março, ele afirmou à Folha que não misturava política com questões técnicas do banco e ironizou seu antecessor, Rodrigo Rollemberg (PSB). Em setembro, o governador alertou que o veto do Banco Central à operação poderia colocar em risco o sistema financeiro nacional, argumentando que a demora na aquisição poderia deteriorar os ativos do Master.

Com a parceria entre Ibaneis e Paulo Henrique, o BRB passou a ter um papel mais ativo no governo do DF, gerenciando desde a Torre de TV até o sistema de bilhetagem do transporte público. O banco ganhou visibilidade nacional ao firmar uma parceria com o Flamengo, time de Ibaneis, para criar um banco digital. Desde 2022, o BRB também detém os direitos de nome do Estádio Nacional Mané Garrincha.

Sob nova direção, o BRB contratou uma auditoria independente para investigar as operações realizadas com o Banco Master durante a gestão de Paulo Henrique, incluindo a compra de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito fraudulentas, sua devolução e a transferência de ativos do banco de Vorcaro.


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