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Igreja Presbiteriana paga R$ 106 mil após denúncia de assédio contra pastor titular

Igreja Presbiteriana paga R$ 106 mil após denúncia de assédio contra pastor titular

A Igreja Presbiteriana de Pinheiros (IPP) formalizou um acordo financeiro no valor de R$ 106 mil com uma ex-colaboradora que acusava o reverendo Arival Dias Casimiro de assédio e abuso espiritual. O caso, que tramitou na Justiça do Trabalho e teve seu desfecho em 2025, ganhou nova repercussão após a instituição divulgar uma nota oficial sobre o episódio, gerando conflitos de interpretação entre as partes envolvidas.

Conforme os autos do processo, a funcionária relatou ter sido alvo de investidas constantes entre os anos de 2022 e 2024. O pastor titular, que também exercia a função de superior hierárquico direto da vítima, teria enviado mensagens com teores pessoais e sugestões de encontros reservados, o que culminou no pedido de demissão da profissional.

Mensagens e abordagens fora do horário comercial

Provas anexadas à ação judicial mostram que o religioso utilizava recursos como mensagens temporárias e envios após a meia-noite. Em diversos trechos destacados pela acusação, o reverendo escreveu frases como “você mexe comigo” e expressou o desejo de revelar sentimentos de forma privada, ignorando a relação profissional existente.

As capturas de tela revelam ainda que o pastor frequentemente apagava mensagens logo após o envio. A denunciante chegou a registrar sua insatisfação diretamente ao religioso antes de deixar o cargo, solicitando explicitamente que as mensagens cessassem, afirmando que preferia não receber aquele tipo de conteúdo.

Conflito de narrativas sobre a retirada de acusações

A divulgação de uma nota de esclarecimento pela IPP gerou novos embates. A igreja afirmou publicamente que a ex-funcionária teria retirado qualquer reconhecimento de assédio ao assinar o acordo homologado, classificando as mensagens do pastor apenas como “inoportunas, inadequadas e infelizes”.

Contudo, a defesa da denunciante contesta veementemente essa interpretação dada pela instituição. Segundo os advogados da vítima, em nenhum momento houve a retratação das afirmações feitas durante o processo. Pelo contrário, a ex-colaboradora mantém a sustentação das denúncias de assédio em instâncias internas da própria igreja.

Impacto institucional e desfecho do processo trabalhista

O encerramento do processo com o pagamento da indenização de R$ 106 mil não silenciou o debate na comunidade. A defesa ressalta que a interpretação da igreja sobre a nota pode induzir o público ao erro, sugerindo uma confissão de inexistência de assédio que, juridicamente, não ocorreu no texto do acordo.

O caso levanta discussões sobre as relações de poder e hierarquia dentro de organizações religiosas e o impacto do chamado abuso espiritual. Mais detalhes sobre o andamento de casos similares podem ser acompanhados no portal Metrópoles, que teve acesso exclusivo aos documentos do processo.

Fonte: metropoles.com


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