O envolvimento do ex-diretor de Fiscalização do Banco Central, Paulo Souza, e do ex-chefe do departamento de supervisão bancária, Belline Santana, no caso Master gerou um clima de abatimento e perplexidade entre os funcionários da instituição. Relatos feitos à Folha, sob condição de anonimato, indicam um temor de que o episódio prejudique a imagem pública dos técnicos do BC e afete a credibilidade da instituição.
Nesta quarta-feira, 4 de outubro, a Polícia Federal realizou uma operação de busca e apreensão que teve como alvos os dois servidores do Banco Central. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, determinou que ambos utilizem tornozeleira eletrônica. Segundo a decisão, Souza e Santana atuavam como consultores privados do banqueiro Daniel Vorcaro em assuntos relacionados ao BC, recebendo propina, incluindo o pagamento de uma viagem à Disney, cujo guia foi custeado pelo dono do Master.
Funcionários do BC expressaram incredulidade e abatimento ao tomarem conhecimento da situação. Um deles relatou choque e surpresa entre os colegas, embora tenham evitado julgar a conduta dos ex-colegas de forma antecipada. A ANBCB (Associação Nacional dos Auditores do Banco Central), que representa parte dos servidores, emitiu uma nota destacando a gravidade das alegações na terceira fase da operação Compliance Zero. A entidade afirmou que condutas irregulares devem ser rigorosamente investigadas e, se confirmadas, punidas de acordo com o devido processo legal.
A ANBCB também elogiou a atuação do Banco Central, que reagiu rapidamente ao acionar seus mecanismos de controle interno e afastar preventivamente os envolvidos. A nota ressaltou a importância de aprimorar a governança e os mecanismos de integridade institucional, afirmando que instituições fortes são aquelas que conseguem identificar e corrigir seus próprios erros.
O Banco Central informou que identificou indícios de vantagens indevidas por parte de dois servidores durante uma investigação interna sobre o caso Master. O processo está sendo conduzido sob sigilo pela corregedoria do órgão. Em nota, o BC comunicou que afastou cautelarmente os servidores de suas funções e do acesso às dependências e sistemas da instituição, além de instaurar procedimentos correcionais e informar à Polícia Federal sobre os indícios de crimes.
A autoridade monetária expressou confiança de que o trabalho da Polícia Federal é um passo essencial para esclarecer os fatos. O BC afirmou que, respeitando o devido processo legal e o direito à ampla defesa, as condutas infracionais identificadas receberão a resposta sancionatória adequada. Um interlocutor afirmou que as providências foram tomadas prontamente ao detectar indícios de irregularidades, considerando-as condutas isoladas e destacando que a governança do BC funcionou. A cúpula do BC se sente confiante de que as medidas necessárias foram adotadas e que a instituição será preservada.
Conforme noticiado pela Folha, o Banco Central está revisando internamente o processo de fiscalização relacionado ao Banco Master, desde a expansão do conglomerado de Vorcaro até a liquidação da instituição, prevista para novembro de 2025. Souza e Santana deixaram suas funções de confiança em janeiro, após já terem sido afastados pelo presidente Gabriel Galípolo.
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