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Infarto em mulheres: estudo revela fatores de risco pouco reconhecidos

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Infarto em mulheres: estudo revela fatores de risco pouco reconhecidos

Uma análise realizada na Itália identificou antecedentes que frequentemente passam despercebidos durante o atendimento inicial de mulheres com síndrome coronariana aguda (SCA). Os resultados preliminares foram apresentados em uma cúpula da Sociedade Europeia de Cardiologia. A cardiopatia isquêmica é uma das principais causas de morte globalmente, manifestando-se de forma aguda, incluindo angina de peito e infarto do miocárdio. Historicamente, muitos estudos e protocolos médicos focaram em homens, desconsiderando características específicas das mulheres, apesar das variações nos sintomas e fatores de risco.

O estudo GEDI-ACS, o primeiro registro multicêntrico prospectivo dedicado exclusivamente a mulheres com SCA na Itália, trouxe dados inéditos sobre a apresentação dos infartos em pacientes femininas e os riscos frequentemente negligenciados durante as consultas. Os resultados iniciais revelaram que, além dos fatores cardiovasculares clássicos, como hipertensão e tabagismo, as mulheres apresentaram com frequência antecedentes de aborto espontâneo, menopausa precoce, doenças autoimunes e transtornos de ansiedade ou depressão.

A análise dos primeiros 68 casos indicou que 86% das mulheres estavam vivenciando seu primeiro evento cardiovascular, com uma média de idade de 68 anos e um perfil de saúde caracterizado por baixos níveis de alfabetização em saúde. Mais de um terço das participantes teve infarto do miocárdio com artérias coronárias não obstrutivas (MINOCA), um subtipo que carece de diretrizes terapêuticas específicas e que afeta predominantemente mulheres. Esses achados, apresentados por equipes do Instituto Científico IRCCS San Raffaele, levantam a necessidade de revisar as estratégias de prevenção e diagnóstico em cardiologia, incorporando variáveis que raramente são analisadas durante o atendimento médico.

O registro GEDI-ACS visa analisar as síndromes coronarianas agudas em mulheres de forma integral, incluindo variáveis clínicas, socioeconômicas, psicossociais, genéticas e moleculares, além de considerar a diversidade étnica e cultural das participantes. O estudo abrange mulheres recrutadas em diversos centros italianos, especialmente em Milão e Nápoles, e prevê uma análise detalhada dos subtipos de SCA. Em relação à apresentação clínica, 38,2% das pacientes apresentaram infarto com elevação do ST (STEMI), 36,8% infarto sem elevação do ST (NSTEMI) e 25% angina instável.

Nos primeiros 30 dias após o evento, não foram registradas mortes, reinfartos ou acidentes cerebrovasculares, embora 11,3% das participantes tenham relatado dor torácica recorrente. As autoras do estudo enfatizaram a importância de acompanhamentos prolongados e de uma abordagem personalizada para garantir uma evolução favorável. O GEDI-ACS destaca a necessidade de melhorar a alfabetização em saúde e a prevenção cardiovascular com uma perspectiva de gênero.


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