A influenciadora digital Paula Simões Assisi, de 34 anos, foi detida no dia 17 de setembro durante a Operação Eredità, uma ação conjunta da Polícia Federal brasileira com autoridades italianas. A suspeita é de que ela tenha integrado um esquema de tráfico internacional de cocaína com conexões diretas à organização criminosa ‘Ndrangheta, uma das mais poderosas máfias da Itália.
As investigações apontam que a influenciadora teria assumido funções estratégicas na rede criminosa após a prisão de seu marido, Patrick Assisi, e de seu sogro, Nicola Assisi, ocorrida em 2019. O caso ganhou repercussão nacional após reportagem exibida pelo Fantástico detalhar como a estrutura operacional foi mantida por parentes e aliados mesmo após as primeiras detenções da liderança do grupo.
Estrutura do tráfico e cooperação internacional
O esquema de tráfico internacional utilizava o Porto de Paranaguá, no Paraná, como principal rota para o escoamento de entorpecentes com destino à Europa. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), a organização criminosa demonstrou alta capacidade de resiliência, mantendo o fluxo de exportação de cocaína e a ocultação de valores ilícitos mesmo sob vigilância constante das forças de segurança.
A Operação Eredità foi o desfecho de uma cooperação técnica entre o Brasil e a Procuradoria Nacional Antimáfia e Antiterrorismo da Itália. A ação resultou no cumprimento de sete mandados de prisão preventiva e cinco de busca e apreensão, além do bloqueio de bens e valores vinculados aos investigados.
Volume de entorpecentes e histórico da organização
Dados da Polícia Federal indicam que a organização criminosa está associada a pelo menos 11 apreensões de cocaína, totalizando mais de 4,6 toneladas da droga interceptadas. O MPF reforça que, em determinado período, o grupo chegou a manter um estoque de 2,2 toneladas de cocaína em território brasileiro, aguardando o momento oportuno para o envio ao mercado europeu.
Posicionamento das defesas
Em nota, a defesa de Paula Simões Assisi negou qualquer envolvimento da influenciadora com as atividades criminosas, destacando a ausência de apreensão de entorpecentes em seu poder. Já a defesa do advogado Patrick Raasch Cardoso, também citado nas investigações, sustentou que sua atuação profissional manteve-se estritamente dentro dos limites legais da advocacia, solicitando a revogação de sua prisão preventiva.
Os envolvidos podem responder, conforme o grau de participação individual, por crimes de tráfico internacional de drogas, associação para o tráfico, organização criminosa e lavagem de dinheiro. O processo segue em tramitação sob sigilo judicial para garantir a continuidade das apurações sobre as ramificações da máfia italiana no Brasil.
Fonte: metropoles.com
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