Os investigadores da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República (PGR) informaram à defesa do banqueiro Daniel Vorcaro que sua proposta de delação premiada deve incluir um conjunto de provas inédito, além das evidências já encontradas em seu celular. Eles afirmaram que a negociação levará o tempo necessário para ser concluída.
O acordo de Vorcaro é recebido com ceticismo pelos investigadores, que questionam se ele conseguirá apresentar novas informações relevantes, considerando a quantidade de provas já coletadas. O banqueiro foi preso em 4 de março e começou a elaborar seu acordo de delação premiada em 19 de março, após ser transferido para a Superintendência da PF em Brasília. Ele assinou um termo de confidencialidade, que marca o início do processo, mas ainda precisa apresentar os anexos da delação para que as negociações possam avançar.
Conforme reportado pelo Estadão, três questões são vistas como problemáticas para a finalização do acordo: o tempo de prisão que Vorcaro terá que cumprir, o valor total do ressarcimento e a inclusão de informações sobre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) na delação. Nas últimas semanas, os advogados do banqueiro têm se reunido diariamente com ele para coletar relatos e elaborar esses anexos, que funcionam como um cardápio dos temas a serem discutidos nos depoimentos.
A extração de diálogos do celular de Vorcaro, apreendido pela PF em novembro durante a primeira fase da Operação Compliance Zero, tem sido um ponto de partida para a delação. No entanto, os investigadores alertaram a defesa de que apenas explicar os diálogos do celular não será suficiente para justificar a assinatura do acordo. Para eles, o celular representa o "piso" da delação, e a defesa deve apresentar informações e provas novas que não estejam incluídas no material apreendido.
Interlocutores da família de Vorcaro acreditam que será difícil cumprir o prazo inicial de 45 dias estipulado pela defesa para a apresentação dos anexos e a coleta formal dos depoimentos. Os advogados estão apressados para entregar esses anexos, pois isso permitiria o início das negociações do acordo, incluindo a definição do tempo de pena e do valor do ressarcimento. Nesse momento, a defesa deve solicitar a liberação de Vorcaro para que ele retorne para casa, embora essa possibilidade seja considerada improvável por integrantes da PF e da PGR.
Os investigadores, por sua vez, acreditam que a negociação deve se prolongar por mais tempo e afirmam não ter pressa nesse processo. O prazo a ser seguido será aquele necessário para reunir um conjunto de provas relevante e robusto, o que sugere que o processo pode se estender por alguns meses.
Um dos aspectos problemáticos que ainda não foi iniciado diz respeito aos valores que Vorcaro terá que ressarcir aos cofres públicos. Os investigadores consideram que o banqueiro precisará revelar o tamanho de seu patrimônio atual, incluindo contas ocultas no exterior, para que um cálculo eficiente do ressarcimento possa ser realizado. A PF e a PGR entendem que não deve ser estipulado um valor excessivamente alto e inviável, mas que o ressarcimento deve ser compatível com os danos causados ao patrimônio do Banco Regional de Brasília (BRB) e ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que gastou mais de R$ 50 bilhões para pagar os credores do Master.
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