O regime da República Islâmica do Irã está prestes a realizar, na quarta-feira (14), a primeira execução oficial de um manifestante desde o início da atual onda de protestos no país. Erfan Soltani, de 26 anos, terá apenas dez minutos para se despedir de sua família antes de ser levado à forca. Segundo ativistas, ele foi condenado por "clamar por liberdade".
Soltani foi detido em sua residência em Fardis, no centro do Irã, na última quinta-feira. Seu julgamento, que durou apenas quatro dias, foi considerado por organizações internacionais como uma violação grave do direito internacional, uma vez que ele não teve acesso a advogados ou ao devido processo legal. Os protestos, que começaram em 28 de dezembro, foram inicialmente motivados pela desvalorização da moeda local e pelo aumento dos preços dos combustíveis, mas rapidamente evoluíram para exigências de mudança de regime. A resposta das forças de segurança tem sido violenta.
Testemunhas relatam que as ruas de Teerã e de outras cidades se assemelham a "zonas de guerra". Informações obtidas pela BBC e por ONGs indicam que as forças de segurança estão utilizando fuzis de assalto contra civis desarmados. Um iraniano, que preferiu não se identificar, descreveu a situação: "As ruas estão cheias de sangue. Estão levando corpos em caminhões. É um massacre".
Os números relacionados à repressão são alarmantes. Desde o final de dezembro, mais de 10.700 pessoas foram detidas, conforme dados da HRANA. As estimativas de mortos variam entre 2.000, segundo autoridades iranianas que culpam "terroristas", e mais de 6.000, conforme a ONG Iran Human Rights. O Conselho Nacional de Resistência do Irã (NCRI) registrou mais de 2.200 execuções no último ano, o maior índice nos 36 anos de governo do aiatolá Ali Khamenei.
A irmã de Soltani, que é advogada, foi impedida de acessar o arquivo do caso. Arina Moradi, da organização Hengaw, afirmou que a família está "em choque e desespero" diante da rapidez da sentença. Especialistas alertam que o regime está utilizando o sistema judiciário como uma ferramenta de terror. Shahin Gobadi, do NCRI, destacou que o líder supremo Ali Khamenei rotulou os manifestantes como "desordeiros" e "inimigos de Deus", uma acusação que implica pena de morte automática.
Em resposta à situação, o chefe de direitos humanos da ONU, Volker Turk, expressou estar "horrorizado" com a violência, afirmando que o ciclo de brutalidade não pode continuar e que as demandas por justiça do povo iraniano precisam ser ouvidas. Apesar disso, o regime mantém sua postura rígida. Na última sexta-feira, Khamenei ordenou que a Guarda Revolucionária intensificasse a repressão, afirmando que a República Islâmica "não recuará".
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