O senador Jaques Wagner (PT) reafirmou sua inocência e classificou como mentirosas as suspeitas levantadas na operação da Polícia Federal que investiga pagamentos relacionados ao Banco Master, de Daniel Vorcaro. Durante um ato político em Barreiras, na Bahia, neste sábado (27), Wagner citou uma frase do presidente Lula (PT) que ouviu em meio à crise política: "Galego, só quem sabe o que você fez é você mesmo." Ele declarou que está tranquilo e que irá desmentir as mentiras que estão sendo construídas contra ele.
Wagner também comentou sobre a injustiça que Lula enfrentou ao ser preso por 580 dias devido a condenações da operação Lava Jato, cujas provas foram anuladas em 2021. O senador destacou que suas prioridades incluem provar sua inocência, ajudar na reeleição de Lula e do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), além de buscar sua própria reeleição para o Senado e apoiar a candidatura do ex-ministro Rui Costa (PT).
Jerônimo Rodrigues fez uma defesa pública de Jaques Wagner, considerando as suspeitas contra o senador como injustas. Ele afirmou que as acusações são uma tentativa de atacar Lula e que Wagner é um patrimônio do partido, ressaltando que, em 20 anos, nunca houve qualquer acusação de desonestidade contra ele na Bahia.
Jaques Wagner deixou o cargo de líder do governo no Senado na quarta-feira (24). Embora tenha resistido à ideia de deixar a liderança, ele mencionou um "comum acordo" após uma reunião de cerca de duas horas com o presidente Lula. A fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF na semana passada, investiga suspeitas de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Além de Wagner, Augusto Lima e Eduardo Sodré Martins, enteado de Wagner e secretário no governo Jerônimo Rodrigues, também foram alvos da operação.
Os investigadores identificaram um pagamento de R$ 3,5 milhões de uma empresa ligada a Lima ao "núcleo familiar" de Wagner. O ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF, considerou isso uma evidência da proximidade entre o parlamentar e o senador. Além disso, Wagner teria recebido um apartamento em Salvador, avaliado em R$ 2,5 milhões, viagens gratuitas em jatinhos ligados ao Master e ingressos para um show de uma cantora internacional em Los Angeles, em 2023.
Em endereços associados ao senador, a Polícia Federal encontrou US$ 55 mil e 33 mil euros, totalizando cerca de R$ 471 mil. Um dia após deixar a liderança do governo no Senado, Jaques Wagner comentou à Folha sobre sua insatisfação com a atuação da Polícia Federal na operação, especialmente em relação à divulgação de uma foto com cédulas de moeda estrangeira apreendidas em seu apartamento em Brasília. Ele argumentou que essa divulgação violou a orientação do ministro André Mendonça, do STF, que havia determinado que a busca e apreensão ocorresse de forma discreta, devido ao caráter sigiloso da investigação.
Wagner admitiu ter relações com o empresário Augusto Lima, ex-sócio do Master, e afirmou que é comum que governadores e prefeitos se relacionem com empresários. Ele também revelou que os valores pagos pelo Banco Master à empresa de sua nora são superiores aos R$ 3,5 milhões divulgados e defendeu que a origem do dinheiro é legal.
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