Há cerca de duas semanas, o senador Jaques Wagner e o governador Jerônimo Rodrigues, do PT, se reuniram rapidamente para discutir a sucessão do deputado Adolfo Menezes (PSD) na presidência da Assembleia Legislativa.
Chegaram à conclusão de que não deveriam tentar convencê-lo a abrir mão de concorrer à reeleição, apesar do risco “muito concreto”, na avaliação dos dois, de que ela venha a ser contestada judicialmente e com isso ele foi forçado a deixar o posto .
Por causa da chance de o mandato de Adolfo ter sido inviabilizado, os dois avaliaram que a situação traria a oportunidade única de permitir que o PT fizesse pela primeira vez, nestes quase 20 anos de controle político e administrativo do Estado, a presidência do Legislativo.
Para tanto, precisariam colocar na primeira vice-presidência da Casa um quadro do partido. O nome escolhido foi o deputado estadual Rosemberg Pinto, com uma ficha de serviços prestados à sigla e ao governo no Poder considerado inestimável.
Na qualidade de primeiro vice-presidente eleito, Rosemberg sucederia naturalmente Adolfo, no caso de a presidência ser judicialmente declarada vaga sob a alegação de que ele estaria buscando a reeleição, um direito controverso para políticos e juristas.
Foi assim que o nome do petista angariou o apoio dos dois principais líderes petistas na Bahia para disputar o comando do Legislativo, na condição muito especial de candidato oportunista a uma vaga que ainda não existe.
Wagner não só tem dito aqueles com que se entrevistar que Rosemberg tem prioridade para concorrer, como está contando com o suporte aberto de Jerônimo, que assumiu pessoalmente as negociações em defesa do nome do correligionário.
Esta semana, por exemplo, o governador deu partida a um conjunto de conversas com deputados estaduais para atraí-los para a campanha de Rosemberg. Nos encontros, não tem apenas prometido atender às demandas antigas dos parlamentares.
Não deixa de argumentar, por exemplo, que não faz sentido os deputados apoiarem à mesma vice-presidência o nome do primeiro deputado estadual Angelo Coronel Filho (PSD), cuja candidatura vem sendo construída pelo pai, o senador Angelo Coronel (PSD), de olho na mesma eventual vacância da presidência.
“Vocês não podem ser instrumentos de um projeto de poder de Coronel”, alegou um Jerônimo que, segundo os parlamentares, se despiu completamente da condição de neutralidade teoricamente aplicável numa disputa interna do Legislativo.
É uma referência ao plano de Coronel de, uma vez investindo o filho na condição de presidente da Assembleia, poder garantir sua permanência na chapa de Jerônimo em 2026 como candidato à reeleição ao Senado.
Guardadas as devidas proporções, é a mesma manobra que protagonizou pessoalmente em 2017, quando era deputado estadual e se elegeu presidente da Assembleia, unindo governistas e oposicionistas em torno de seu nome.
Como presidente da Assembleia, adquiriu poder suficiente para se importar como candidato ao Senado na chapa liderado por Rui Costa (PT).
Na época, no entanto, Coronel foi considerado um quadro da base que desafiou a liderança de outro governista, o então presidente Marcelo Nilo (Republicanos), que comandou a Casa há 10 anos.
Agora, a situação é diferente. Ele – e seu filho – serão tratados abertamente como oposicionistas, se a candidatura contra Rosemberg for levada adiante. Pelo menos, segundo a orientação expressa de Wagner.
Fonte: política livre
Descubra mais sobre Euclides Diário
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.