O jornalista maranhense Luís Pablo Conceição Almeida, de 40 anos, tornou-se o centro de um inquérito conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O profissional, que mantém um blog de notícias desde 2011, nega categoricamente as acusações de ter realizado o monitoramento do ministro Flávio Dino ou de seus familiares, sustentando que sua atuação se limitou à apuração jornalística de fatos de interesse público.
Investigação sobre o uso de veículos oficiais
As medidas judiciais, que incluíram a apreensão de equipamentos de trabalho pela Polícia Federal em março e novas diligências em agosto, foram motivadas por reportagens publicadas no blog do jornalista. O conteúdo questionava o uso de um veículo oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) por parte da família do ministro Flávio Dino, alegando que o combustível e a manutenção seriam custeados por recursos públicos.
Luís Pablo afirma que buscou esclarecimentos de forma institucional, enviando solicitações via correio eletrônico para os gabinetes do STF e do TJ-MA, sem obter respostas. O jornalista reforça que seu objetivo era investigar a gestão de recursos públicos e não a vida privada do magistrado, classificando a ação das autoridades como uma forma de intimidação que compromete o exercício da profissão.
Defesa contra acusações de pagamentos indevidos
Além da suspeita de perseguição, o inquérito aponta para um suposto recebimento de R$ 100 mil, valor que, segundo a investigação, teria relação com a publicação de reportagens direcionadas. O jornalista refuta a acusação, esclarecendo que o montante refere-se a um empréstimo pessoal realizado por um amigo advogado para a aquisição de um imóvel, sem qualquer vínculo com sua linha editorial.
O profissional reiterou que não existem provas nas conversas interceptadas que sustentem a tese de “reportagens compradas”. Ele argumenta que a exposição da identidade de suas fontes, decorrente da quebra de sigilo, criou um precedente perigoso para o jornalismo investigativo no Brasil, dificultando a proteção de informantes e o livre fluxo de informações.
Contraponto das instituições e apoio de entidades
Em nota, a assessoria de Flávio Dino e o Tribunal de Justiça do Maranhão negaram qualquer irregularidade. Segundo as instituições, o uso de veículos blindados segue normas de segurança do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e acordos de cooperação entre tribunais para a proteção de autoridades. O ministro ressaltou que a medida visa garantir a segurança de sua família diante de ameaças.
O caso gerou reações de organizações de classe. O Sindicato dos Jornalistas do Maranhão, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) acompanham o desenrolar do inquérito. Entidades do setor alertam que a apreensão de equipamentos e a exposição de fontes podem gerar um efeito de censura, desencorajando jornalistas a investigar órgãos públicos e figuras de poder. Mais informações podem ser acompanhadas na Folha de S.Paulo.
Fonte: bnews.com.br
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