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Junta médica de Bolsonaro tem antipetista e primo de Caiado

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Junta médica de Bolsonaro tem antipetista e primo de Caiado

A equipe médica que acompanha Jair Bolsonaro (PL) é composta por um antipetista e um primo do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), que já se manifestou a favor da anistia ao ex-presidente. Outro primo do governador, que é psicólogo, também está na lista de profissionais que atenderam Bolsonaro recentemente na Papudinha.

Claudio Birolini, cirurgião-geral da equipe médica, tem utilizado suas redes sociais para compartilhar publicações críticas ao presidente Lula (PT) e ao STF (Supremo Tribunal Federal). Ele repostou uma crítica ao ator Wagner Moura, que foi alvo de comentários durante a corrida pelo Oscar com o filme "O Agente Secreto". A postagem dizia que Moura foi internado às pressas no Hospital Cedars-Sinai Medical Center em Los Angeles, Califórnia, após passar mal por não repetir as palavras "ditadura" e "Bolsonaro".

Birolini também se manifestou contra o projeto de lei do senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), que visa combater o discurso de ódio contra mulheres na internet, considerando a proposta como uma forma de "vigilância total disfarçada". Em uma repostagem feita na terça-feira (17), ele compartilhou conteúdo do deputado federal Mario Frias (PL-SP), ex-secretário especial de Cultura de Bolsonaro, sobre o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). O médico tem interagido com outras figuras da direita, como Fernando Holiday, ex-vereador de São Paulo, Marcelo Queiroga, ministro da Saúde de Bolsonaro e pré-candidato ao Senado pelo PL, e Rubinho Nunes (União Brasil), vereador de São Paulo.

Em outra postagem, o pai de Birolini, Dario Birolini, aparece ao lado de Bolsonaro, exibindo a medalha "3I: imorrível, imbrochável e incomível", que o ex-presidente utiliza para agraciar aliados. A Folha questionou Claudio Birolini sobre a saúde de Bolsonaro e a possibilidade de uma prisão domiciliar. Ele afirmou que não comentaria sobre a saúde do ex-mandatário fora dos boletins e relatórios oficiais e não se manifestou sobre sua posição ideológica, mas encaminhou suas informações profissionais disponíveis no Google Acadêmico e no CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). O site indica que Birolini possui doutorado em clínica cirúrgica pela USP, onde foi orientado por seu pai, e é diretor no hospital da mesma universidade, além de chefe do grupo de hérnias e parede abdominal.

O cardiologista Brasil Caiado, primo do governador de Goiás, já recebeu a comenda da Ordem do Mérito Anhanguera, a principal honraria do governo estadual. O governador defende a anistia a Bolsonaro, enquanto se posiciona como uma das opções do PSD na disputa presidencial contra a polarização entre o ex-presidente e Lula. A Folha também tentou contato com Brasil Caiado, mas não obteve resposta.

A junta médica que assina os boletins de Bolsonaro inclui o cardiologista Leandro Echenique, Antônio Aurélio de Paiva Fagundes Jr., coordenador da UTI Geral, e o diretor-geral Allisson B. Barcelos Borges. Ricardo Caiado, outro primo do governador, também já atendeu Bolsonaro e é mencionado pelo ministro do STF Alexandre de Moraes como um profissional autorizado a acessar a carceragem do ex-presidente. Ele afirmou ter atendido Bolsonaro durante sua internação no hospital DF Star, no primeiro semestre de 2025, e na Papudinha, em março. Ricardo destacou que sua carreira não foi influenciada pelo sobrenome e que as escolhas profissionais respeitam o foro íntimo familiar.

O governador de Goiás afirmou à Folha que não indicou os primos ao ex-presidente. A defesa de Bolsonaro tem solicitado sua prisão domiciliar com base em relatórios médicos, alegando que a última internação, devido a uma broncopneumonia, indica um agravamento do quadro clínico. No entanto, o STF tem negado os pedidos, argumentando que o estabelecimento prisional possui capacidade total para garantir a saúde e dignidade do sentenciado.

A broncopneumonia, uma infecção pulmonar que afeta bronquíolos e alvéolos, foi identificada como a principal causa da última internação de Bolsonaro, cuja saúde foi comprometida após a facada recebida em 2018. De acordo com o último boletim hospitalar, o ex-presidente permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva, sem previsão de alta, mas apresentou boa evolução clínica, com melhora parcial dos aspectos tomográficos e significativa redução dos marcadores inflamatórios. Bolsonaro foi condenado a 27 anos de prisão por liderar uma trama golpista para impedir a posse de Lula.


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