A Justiça Federal de São Paulo encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma investigação sobre o empresário Nelson Tanure, suspeito de ter utilizado informações privilegiadas na negociação de ações da Gafisa, da qual é acionista de referência. O caso foi atribuído ao ministro Dias Toffoli, devido à suposta conexão com um inquérito que investiga o Banco Master, onde Tanure também é alvo de investigação. A informação foi divulgada pelo jornal O Globo e confirmada pela Folha, com a investigação ocorrendo sob sigilo.
No mês passado, o Ministério Público Federal (MPF) denunciou Tanure por supostamente usar informações sigilosas na construtora Gafisa. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) também investiga o caso. O advogado de Tanure, Pablo Neves Testoni, afirmou que não pode comentar o andamento do processo devido ao sigilo, mas destacou que o MPF mencionou o Banco Master ao oferecer a denúncia, o que, segundo ele, gerou a necessidade de resolver a conexão probatória.
O MPF alega que Tanure e o empresário Gilberto Benevides praticaram insider trading durante a aquisição da incorporadora Upcon pela Gafisa, realizada entre 2019 e 2020. A denúncia aponta que eles teriam realizado movimentações financeiras para aumentar o valor de mercado da Upcon, visando receber mais ações com poder de voto da construtora na transação.
A defesa de Tanure declarou que o empresário possui décadas de experiência no mercado de valores mobiliários e nunca havia sido acusado de práticas delitivas nas empresas em que é ou foi acionista. O advogado expressou que Tanure "lastima a açodada denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal" e acredita que os fatos serão esclarecidos no processo.
Tanure foi alvo de buscas pela Polícia Federal na segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na última quarta-feira (14), que investiga irregularidades relacionadas ao Banco Master. O empresário é investidor em diversas empresas brasileiras, incluindo a petroleira Prio, a rede de supermercados Dia e a incorporadora Gafisa. A investigação policial apura suspeitas de gestão fraudulenta, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro.
Na mesma ocasião, Toffoli determinou o bloqueio de bens de Tanure, citando uma manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) que menciona indícios de que ele seria "sócio oculto do Banco Master", exercendo influência por meio de fundos e estruturas societárias complexas. A decisão não especificou o valor do bloqueio. A defesa do empresário contestou essa afirmação, afirmando que Tanure "jamais estabeleceu qualquer relação de natureza societária com o Banco Master".
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