O jornalista Luan Araújo, que foi perseguido com uma arma pela ex-deputada federal Carla Zambelli em 2022, teve sua prisão decretada pela Justiça de São Paulo nesta semana. A decisão foi assinada pelo juiz José Fernando Steinberg, da Vara de Execuções Criminais da capital, e converteu uma pena restritiva de direitos em pena privativa de liberdade em regime aberto devido à falta de pagamento de valores devidos à ex-parlamentar.
A prisão não está relacionada à perseguição armada, mas a um texto publicado por Araújo, no qual ele criticou Zambelli, afirmando que ela “faz parte de uma extrema direita mesquinha, maldosa e que é mercadora da morte”. A defesa do jornalista argumenta que a situação configura uma “prisão por dívida”, o que é proibido pela legislação, e que Araújo não possui recursos para quitar o débito.
Na decisão divulgada na última segunda-feira, o juiz destacou que Araújo não cumpriu a prestação pecuniária imposta pela sentença, mesmo após ser devidamente intimado. O magistrado fundamentou sua decisão com base no artigo 44, § 4º, do Código Penal, que permite a conversão da pena restritiva em pena privativa de liberdade em casos de descumprimento.
O advogado Renan Bohus, que representa Araújo, informou à imprensa que protocolou uma petição à Justiça, indicando a incapacidade financeira do jornalista. A defesa solicitou o parcelamento da dívida e considerou a conversão da pena desproporcional. Bohus expressou estranheza pelo indeferimento do pedido e pela decisão de encarcerar Araújo, mesmo com a comprovação de sua situação econômica.
A defesa também entrou com um pedido de habeas corpus, argumentando que a falta de recursos não deve ser motivo para encarceramento. O advogado enfatizou que a pobreza não pode ser um fator que justifique a prisão e que a execução da pena deve respeitar os limites constitucionais e a realidade do condenado.
O caso de Luan Araújo ganhou notoriedade por envolver a mesma pessoa que foi perseguida armada por Carla Zambelli na véspera do segundo turno das eleições presidenciais de 2022. O episódio, que foi registrado em vídeos, mostrou a então deputada sacando um revólver e correndo atrás do jornalista em uma rua de São Paulo. Em decorrência desse incidente, Zambelli foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal a cinco anos e três meses de prisão pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. Além disso, ela recebeu outra condenação de dez anos de prisão por invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça. Zambelli deixou o Brasil e foi presa em Roma, na Itália, em julho de 2025, após ser incluída na lista vermelha da Interpol, mas foi liberada no mês passado após decisão da Suprema Corte de Cassação de Roma.
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