O presidente do PSD, Gilberto Kassab, filiou na sexta-feira (30) o governador de Rondônia, Marcos Rocha, ao seu partido. Essa é a segunda adesão de um chefe estadual do União Brasil em menos de uma semana. Na terça-feira (27), Kassab já havia surpreendido o cenário político ao anunciar a filiação de Ronaldo Caiado, governador de Goiás, ao PSD. Caiado firmou um acordo com os governadores Ratinho Jr. (PR) e Eduardo Leite (RS) para uma candidatura única à Presidência.
Com essas movimentações, Kassab provoca uma divisão na direita, isolando a candidatura da família Bolsonaro, atualmente liderada pelo filho do ex-presidente, Flávio Bolsonaro, senador pelo PL do Rio. Marcos Rocha, conhecido como Coronel Marcos Rocha, foi reeleito em 2022 com o apoio de Bolsonaro e já se manifestou contra a prisão do ex-presidente, que cumpre mais de 27 anos de pena por sua condenação relacionada a uma tentativa de golpe para impedir a vitória de Lula (PT) em 2022. Rocha deverá concorrer ao Senado, o que pode fortalecer a posição do PSD na Casa, que atualmente conta com 14 senadores, dos quais apenas dois permanecem para a segunda parte do mandato de oito anos.
Em entrevista à Folha na semana passada, Kassab expressou a expectativa de pelo menos manter a bancada, que é a segunda maior no Senado, com 81 integrantes. A filiação de Marcos Rocha também amplia a liderança do PSD no número de governadores, que passa de cinco para seis entre os 27 estados.
A movimentação de Kassab é considerada significativa no cenário eleitoral deste início de ano. A principal dúvida até agora era se a candidatura de Flávio Bolsonaro se consolidaria ou se o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), assumiria a vaga para enfrentar Lula. Com a insistência da família Bolsonaro em manter a candidatura familiar, Kassab, que é secretário de Tarcísio e já declarou apoio ao governador, busca inserir um terceiro nome na disputa.
Ratinho Jr., Leite e Caiado já manifestaram interesse em concorrer à Presidência e agora decidirão entre eles quem será o candidato, com a decisão marcada para abril, com base no desempenho em pesquisas. Kassab acredita que um nome do PSD pode alcançar cerca de 20% nas intenções de voto, o que poderia ser suficiente para um segundo turno contra o presidente, atraindo tanto eleitores mais à direita quanto aqueles do centro que não apoiam Lula, mas também não toleram os excessos do bolsonarismo.
Entretanto, a viabilidade da candidatura do PSD ainda é incerta. Caso não se concretize, Kassab se posiciona como um "kingmaker", um aliado essencial para vencer a eleição. Essa postura está alinhada com a filosofia do PSD, que não exige alinhamentos automáticos. Kassab, que faz parte do governo de um ex-aliado de Bolsonaro, possui três ministérios na gestão Lula e já afirmou que os membros do partido estão livres para permanecer em seus cargos, sem que uma candidatura própria prejudique Lula.
Essas movimentações levaram a um aumento das críticas ao trabalho de Kassab, que pode não receber apoio do grupo bolsonarista por ter trazido Rocha para o PSD. Aliados de Bolsonaro sugerem que Kassab poderia até se aliar a Lula já no primeiro turno. Além disso, há um estranhamento com Tarcísio, que foi criticado por Kassab em relação à sua visita a Bolsonaro na prisão. Tarcísio rebateu as insinuações, o que gerou especulações sobre a possibilidade de Kassab ser candidato a vice na chapa de Tarcísio, que poderia se lançar à Presidência em 2030, abrindo espaço para Kassab concorrer ao governo de São Paulo.
A força do PSD, que se aproxima de se tornar o maior partido do país em todos os níveis, torna Kassab um parceiro fundamental para qualquer candidatura presidencial futura.
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