A possível filiação da ex-prefeita de Lauro de Freitas, Moema Gramacho, e do ex-prefeito de Itabuna, Geraldo Simões, ao PSOL gerou reações intensas entre militantes e parlamentares da legenda na Bahia. Para esses membros, a entrada das duas lideranças pode ameaçar a identidade e a independência política que o partido construiu ao longo de sua trajetória.
Os parlamentares expressam sua preocupação com o histórico político dos ex-prefeitos. Para eles, Moema e Geraldo são figuras que já ocuparam cargos no Executivo municipal e estão associados a contradições e denúncias. Assim, defendem que qualquer decisão sobre a filiação deve ser cautelosa, para não comprometer a imagem ética e combativa que o PSOL consolidou em nível nacional.
No caso de Moema Gramacho, são mencionadas críticas à sua gestão na Prefeitura de Lauro de Freitas. Entre as denúncias, está uma investigação da Polícia Federal sobre um possível desvio de recursos e superfaturamento na compra de 21.300 tablets, que custaram inicialmente R$ 13,4 milhões. Também são citadas ações que teriam favorecido a especulação imobiliária no Quilombo Kingoma, dificultando a demarcação e titulação das terras. Além disso, sua gestão é marcada por uma relação conflituosa com servidores municipais, com denúncias de assédio moral e precarização das condições de trabalho.
Donana, liderança do Quilombo Kingoma e militante do PSOL, comentou sobre os conflitos entre a ex-prefeita e a comunidade. Ela afirmou que Moema apoiou a construção da Via Metropolitana, que cortou o território quilombola e incentivou a especulação imobiliária. Donana também mencionou a expansão de um lixão na área e a criação do Bairro Novo (Joanes Parque), que se sobrepõe à região reivindicada pela comunidade, caracterizando a situação como racismo ambiental.
Em relação a Geraldo Simões, os parlamentares ressaltam que, embora sua situação tenha sido discutida na direção estadual do partido, sua trajetória também gera preocupações. O PSOL já solicitou uma investigação sobre um possível esquema de compra e venda de emendas parlamentares que envolve os deputados João Carlos Bacelar Filho (PR/BA) e Geraldo Simões (PT/BA). Além disso, destacam o apoio de Simões a uma candidatura de direita em Itabuna, articulada por uma aliança entre Solidariedade e MDB nas eleições de 2024.
Os parlamentares também apontam elementos políticos que agravam a situação. O vereador de Salvador, Hamilton Assis (PSOL), enfatizou que a identidade do partido não deve ser comprometida por interesses eleitorais. Ele afirmou que o PSOL não pode abrir mão de sua coerência para acomodar projetos pessoais, ressaltando que a força do partido reside em sua reputação como uma legenda ética e combativa.
O deputado estadual Hilton Coelho (PSOL) classificou a movimentação como oportunista. Ele observou que não houve declarações públicas de Moema e Geraldo que indicassem uma ruptura com o PT, mencionando a falta de críticas ao ataque do Governo Jerônimo ao Planserv e ao esquema do Credicesta envolvendo o Banco Master.
Os parlamentares acreditam que a tentativa de filiação não demonstra um compromisso com o programa do PSOL, mas sim uma estratégia de reposicionamento eleitoral ligada a interesses pessoais. Diante desse cenário, defendem que o partido reafirme seus princípios históricos e conduza o debate com responsabilidade, ampla participação interna e coerência política.
Descubra mais sobre Euclides Diário
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.




