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Maurício Melo Júnior explora o desbunde e a ditadura em seu novo romance o Tardio

Maurício Melo Júnior explora o desbunde e a ditadura em seu novo romance o Tardio

A 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, realizada pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), tornou-se o palco para o lançamento de O Tardio, novo romance do escritor pernambucano Maurício Melo Júnior. Em um evento que reúne centenas de autores, a obra se destaca ao oferecer um olhar singular sobre o período da ditadura militar brasileira, afastando-se da narrativa convencional focada exclusivamente na guerrilha ou na resistência política tradicional.

A perspectiva da contracultura e o movimento do desbunde

Maurício Melo Júnior propõe em seu livro um diálogo entre duas épocas distintas: os anos 1970 e os anos 2000. Segundo o autor, o panorama político da ditadura, embora presente, surge de forma subdimensionada para dar espaço a uma geração que buscou caminhos alternativos. O foco recai sobre o movimento de contracultura, conhecido como o “desbunde”, que buscava romper com o sistema opressor através da busca por novos estilos de vida em locais como Arembepe e Armação dos Búzios.

A trama acompanha Sérgio, um advogado que, após a morte de um parente, decide investigar o passado de seu irmão mais velho, Roberto. O personagem, que abandonou a vida convencional no final da década de 1970 para viver como hippie, torna-se o fio condutor de uma jornada que atravessa o país. Através de cartões-postais deixados por Roberto, o protagonista questiona suas próprias escolhas e as certezas de sua trajetória.

O papel da literatura no resgate da memória histórica

Durante o lançamento na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, o autor ressaltou a importância de discutir o passado recente do Brasil com o público jovem. Para Maurício, existe uma inquietude latente nas novas gerações, que têm buscado compreender a opressão política vivida pelo país através da literatura. O escritor observa que, após um primeiro momento de obras memorialistas, a ficção contemporânea tem desempenhado um papel fundamental na análise desse período.

O autor acredita que a literatura funciona como um catalisador para que os leitores entendam sua própria história. Ao debater esses temas em um ambiente como a Bienal, o objetivo não é doutrinar, mas sim fomentar o pensamento crítico sobre os silenciamentos impostos durante o regime militar. Com uma carreira consolidada, Maurício Melo Júnior soma 35 livros publicados, sendo O Tardio o seu quarto romance.

Programação e diversidade na 28ª Bienal

A edição atual do evento reafirma sua relevância no cenário cultural brasileiro ao reunir 800 autores e 269 expositores. A programação diversificada contempla nomes de peso da literatura nacional, como Conceição Evaristo e Itamar Vieira Jr., além de atrações internacionais de grande apelo, como Alice Oseman e Ana Huang. O evento segue aberto ao público até o dia 13 de setembro, consolidando-se como um espaço central para o debate literário e a circulação de novas obras.

Fonte: atarde.com.br


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