Em uma ofensiva estratégica a poucos dias do segundo turno das eleições, o presidente Lula (PT) consolidou uma aliança com os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). A articulação resultou no avanço de três propostas de alto impacto popular: o fim da escala 6×1, a PEC da Segurança Pública e novos benefícios para o MEI (Microempreendedor Individual).
O movimento busca neutralizar pontos de desgaste identificados em pesquisas internas, que apontam preocupações do eleitorado com a economia, o custo de vida e a criminalidade. Ao pautar temas de apelo direto, o governo tenta reverter o cenário de empate técnico registrado nas sondagens mais recentes, como a pesquisa Quaest.
Aposta na jornada de trabalho e benefícios econômicos
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa encerrar a escala 6×1 tornou-se o carro-chefe da campanha governista. Com a aprovação no Senado por 75 votos a 1, a medida promete garantir duas folgas semanais remuneradas para cerca de 14,8 milhões de trabalhadores. O texto, que ganhou tração com o apoio de Hugo Motta, prevê que as mudanças entrem em vigor 60 dias após a promulgação.
Paralelamente, o governo acelerou o projeto de lei que reajusta o teto de faturamento do MEI. O relator, deputado Rubens Júnior (PT-MA), incorporou ao texto um perdão de dívidas que abrange 3,6 milhões de microempreendedores, com um impacto fiscal estimado em R$ 12,6 bilhões. Apesar das críticas da oposição sobre a falta de compensação orçamentária, a medida avançou com amplo apoio parlamentar para evitar o desgaste político de votar contra a categoria.
Segurança pública e a reação da oposição
A PEC da Segurança Pública, que busca maior coordenação entre os entes federativos no combate ao crime, também destravou no Senado após o realinhamento entre o Palácio do Planalto e Davi Alcolumbre. O governo planeja utilizar o avanço da proposta para sinalizar maior rigor no enfrentamento à violência, cogitando inclusive a criação de um ministério específico para a pasta.
Em contrapartida, a oposição articulou uma manobra política para pressionar a campanha petista. O senador Rogério Marinho (PL-RN) apresentou uma emenda para reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos, tema historicamente rechaçado pelo PT. A estratégia forçou o governo a adiar a votação em plenário para evitar que o debate sobre o tema penal ofuscasse os ganhos eleitorais das outras pautas.
Cenário eleitoral e disputa de narrativas
A movimentação no Legislativo ocorre em um momento de intensa disputa de narrativas. Enquanto o governo busca capitalizar sobre as aprovações, a oposição, liderada por figuras como Flávio Bolsonaro (PL), tenta rotular as medidas como eleitoreiras e prejudiciais à economia. A Justiça Eleitoral acompanha o desdobramento das votações, enquanto os partidos intensificam a mobilização de suas bases com base nos novos números das pesquisas.
Fonte: politicalivre.com.br
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