Lula moderou as críticas que vinha fazendo a ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) em relação ao envolvimento deles com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Após a liquidação do Banco Master e a revelação de negócios entre a instituição e empresas ligadas a familiares de Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, o presidente expressou sua perplexidade em conversas com diversos interlocutores. Ele questionou o valor do contrato de R$ 129 milhões firmado pelo escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa de Moraes, e criticou severamente Toffoli.
O presidente chegou a afirmar que Toffoli deveria não apenas deixar a relatoria do caso Master, o que de fato ocorreu, mas também renunciar ao cargo de ministro do STF. O Banco Master, por meio de fundos associados, adquiriu parte do resort Tayayá, que pertencia à Maridt, empresa da qual Toffoli é sócio. Contudo, à medida que o escândalo se desenrolava e as críticas aos magistrados aumentavam, Lula alterou seu discurso.
Ele passou a manifestar preocupação com o desgaste do STF, ressaltando que, apesar dos problemas, a instituição é essencial para a manutenção da democracia. Essa mudança de postura também é influenciada pelas pesquisas eleitorais. O escândalo do Master dominou o noticiário, ofuscando informações positivas para o governo, como a baixa inflação e a quase plena empregabilidade no Brasil.
A equipe mais próxima de Lula avalia que a deterioração da imagem do STF impacta diretamente seu governo. Até então, o presidente havia governado em aliança com a Corte, que ajudou a barrar medidas desfavoráveis provenientes do Congresso. A relação próxima dele com alguns ministros poderia levar a população a perceber Executivo e STF como uma entidade única, segundo a análise do governo.
Além disso, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, tem enfrentado a necessidade de explicar seu envolvimento com Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", e tem sido alvo de vazamentos que supostamente vêm da Polícia Federal. Com essa nova abordagem, Lula busca restabelecer um diálogo mais próximo com os magistrados da Corte, de quem havia se distanciado.
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