O presidente Lula (PT) escolheu Wellington César Lima e Silva como novo ministro da Justiça e Segurança Pública. A decisão foi anunciada após uma conversa no Palácio do Planalto e será oficializada nesta terça-feira, 13 de março.
Wellington Lima e Silva já ocupou diversos cargos em administrações petistas e teve uma breve passagem pelo Ministério da Justiça. Atualmente, ele é o chefe do departamento jurídico da Petrobras, cargo para o qual foi indicado pelo próprio presidente. Antes disso, atuou como secretário de Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência da República de janeiro de 2023 a julho de 2024. Durante os 18 meses nessa função, manteve uma relação próxima com o presidente, despachando quase diariamente. Suas responsabilidades incluíam a análise de atos da Presidência, avaliação de indicações e preparação de despachos.
Esta não é a primeira vez que Lima e Silva assume cargos em gestões do PT. Em março de 2016, durante o processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff, ele foi nomeado ministro da Justiça, mas permaneceu no cargo por apenas 14 dias. Sua posse ocorreu em 2 de março de 2016, e a exoneração foi publicada em 16 de março do mesmo ano. O Supremo Tribunal Federal anulou a posse, entendendo que integrantes do Ministério Público não podem exercer funções no Poder Executivo.
Lima e Silva ingressou no Ministério Público da Bahia em 1991, atuando em comarcas do interior até 1995, quando foi promovido para Salvador. O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), é considerado o principal articulador de sua indicação ao Ministério da Justiça, com o apoio do ministro da Casa Civil, Rui Costa. Ambos são ex-governadores da Bahia.
Próximo ao PT na Bahia, Lima e Silva foi nomeado em 2010 para chefiar o Ministério Público do estado durante a gestão de Wagner, cargo que ocupou por dois mandatos consecutivos. Desde então, conquistou a confiança de Wagner, que também articulou sua indicação ao Ministério da Justiça em 2016, quando era ministro da Casa Civil de Dilma. Ao ser nomeado procurador-geral de Justiça da Bahia, Wellington foi o menos votado da lista tríplice enviada pelo Ministério Público ao governador.
Durante sua gestão, ele criou o Comitê Interinstitucional de Segurança Pública, que reúne diversas instituições para propor melhorias na eficácia do sistema de justiça criminal e defesa social. Também se destacou na aproximação entre o Ministério Público e as polícias, além de participar do programa Pacto pela Vida.
Lima e Silva já se manifestou sobre a "polícia judiciária", que inclui a Polícia Federal, em uma entrevista de 2013, ao discutir a PEC 37, que pretendia retirar poderes de investigação do Ministério Público. Ele defendeu que a polícia deve ter a atribuição de investigar, mas com o apoio de outras instituições, como a Promotoria, ressaltando que não deve haver uma "plena hegemonia" de uma delas.
O advogado é graduado em direito, possui mestrado em ciências criminais e já atuou como professor na Universidade Federal da Bahia. Ele assumirá o cargo no lugar de Ricardo Lewandowski, cuja exoneração foi publicada no Diário Oficial da União na sexta-feira, 9 de março. Apesar da saída, a equipe atual se comprometeu a permanecer até que o novo ministro tome posse e a transição seja realizada. O secretário-executivo do ministério, Manoel Carlos de Almeida Neto, foi nomeado para comandar a pasta de forma interina.
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