O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciou uma viagem de cinco dias pela Europa, sendo recebido nesta sexta-feira (17) pelo primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, em Barcelona. Lula está acompanhado por uma comitiva de pelo menos 11 ministros.
Os dois líderes devem ter uma conversa a portas fechadas por uma hora, seguida de uma reunião plenária com seus ministros. Após essas discussões, está prevista a assinatura de acordos nas áreas de igualdade de gênero, tecnologia e empreendedorismo.
No sábado (18), Lula se reunirá com uma dúzia de chefes de Estado progressistas que buscam enfrentar a onda mundial de direita. Este será o quarto encontro do Fórum Democracia para Sempre, iniciativa criada por Lula e Sánchez em 2024. Entre os presidentes confirmados estão Claudia Sheinbaum (México), Gustavo Petro (Colômbia), Yamandú Orsi (Uruguai) e Cyril Ramaphosa (África do Sul). Os vice-premiês da Alemanha, Lars Klingbeil, e do Reino Unido, David Lammy, também participarão do evento.
Os debates do fórum abordarão três eixos principais: multilateralismo, desigualdades e combate à desinformação. Não foi informado se Lula terá reuniões bilaterais com outros líderes durante o evento.
De acordo com o governo brasileiro, a viagem a Barcelona visa fortalecer a reaproximação entre Brasil e Espanha, que se intensificou no terceiro mandato de Lula, além de destacar as convergências entre os dois países, especialmente na defesa de soluções pacíficas para conflitos.
Sánchez se posiciona como um dos principais críticos europeus do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, em relação à guerra contra o Irã. Em entrevista ao jornal espanhol El País, Lula afirmou que "Trump não tem o direito de acordar de manhã e ameaçar um país".
Durante a viagem, a diplomacia brasileira também buscará apoio para a candidatura de Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile, à Secretaria-Geral da ONU em 2027, embora já exista a expectativa de falta de consenso. Outro objetivo é a elaboração de uma declaração conjunta contra a violência política e digital de gênero.
Após a Espanha, Lula seguirá para a Alemanha, onde participará da Feira Industrial de Hannover, e depois para Portugal, onde se reunirá com o primeiro-ministro Luís Montenegro e o novo presidente António José Seguro em Lisboa. O retorno ao Brasil está agendado para a próxima terça-feira (21).
Os três países visitados por Lula têm um papel importante no acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, que entrará em vigor provisoriamente em 1º de maio, após 26 anos de negociações.
Na comitiva de Lula estão os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores), Dario Durigan (Fazenda), Alexandre Silveira (Minas e Energia), João Paulo Capobianco (Meio Ambiente) e Margareth Menezes (Cultura). Também fazem parte do grupo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o presidente da Fiocruz, Mario Moreira.
Além dos encontros com chefes de Estado em Barcelona, Lula se reunirá com empresários brasileiros e espanhóis de setores como agronegócio, energia e infraestrutura. Ele também discursará no evento Mobilização Progressista Global, organizado pela sociedade civil e sindicatos.
A Espanha é a oitava maior parceira comercial do Brasil e o quinto maior destino das exportações brasileiras. Em 2025, o comércio bilateral alcançou US$ 12,6 bilhões, impulsionado principalmente pela exportação de petróleo, soja e minerais. Mais de mil empresas espanholas atuam em setores como finanças, energia e telecomunicações.
Lula e Sánchez já se encontraram em outras duas ocasiões recentes: Lula visitou Madri em abril de 2023, e Sánchez esteve em Brasília em março de 2024. No ano passado, foi acordado que os dois países se reuniriam a cada dois anos, o que está sendo concretizado agora.
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