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Lula recupera fôlego com IR e soberania, mas Lulinha e Venezuela trazem riscos para ano eleitoral

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PT publica vídeo de Lula convocando militância para ato em 8 de janeiro

O presidente Lula (PT) inicia o ano eleitoral com um fortalecimento político, impulsionado por pautas nacionais e internacionais que reforçam sua imagem de defensor da soberania do Brasil. Essa situação contrasta com o início de 2025, quando o governo enfrentava uma série de crises de imagem, especialmente relacionadas à divulgação de notícias falsas sobre o Pix. Naquele momento, a oposição aproveitou a oportunidade para dominar a narrativa em temas econômicos.

O novo ano traz, no entanto, o risco de questões delicadas ressurgirem, como a crise na Venezuela e investigações que envolvem um dos filhos do presidente. Além disso, há incertezas na formação de palanques em estados eleitorais importantes, como Minas Gerais. Em dezembro, uma apuração da Polícia Federal revelou que uma empresária próxima a Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, recebeu R$ 300 mil a pedido do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS.

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A oposição tenta vincular esse caso a um dos principais escândalos do governo atual, que envolve desvios em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS. Em resposta, Lula defendeu as investigações, afirmando que, se seu filho estiver envolvido, deve ser investigado.

A sequência de conflitos com os Estados Unidos, que começou com o aumento de tarifas e a imposição de sanções da Lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, permitiu a Lula recuperar a pauta da soberania nacional, que antes era dominada pela direita brasileira. Durante as divergências entre Brasil e EUA, parte da direita apoiou o governo de Donald Trump, que usou o julgamento de Jair Bolsonaro (PL) no STF para justificar a sobretaxa de produtos brasileiros. Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, apoiou essa retórica, mas acabou sendo acusado de conspirar contra a economia brasileira, o que enfraqueceu seu discurso nacionalista.

A postura do governo contribuiu para a popularidade de Lula. Durante as negociações com os EUA, Trump recuou e começou a elogiar publicamente o presidente brasileiro. No entanto, a relação enfrenta instabilidade após o ataque dos EUA à Venezuela. Embora o governo Lula não tenha reconhecido a eleição de Nicolás Maduro em 2024, a proximidade entre os dois ao longo dos anos é utilizada pela oposição para criticar o petista, acusando-o de apoiar um regime ditatorial.

Integrantes do Palácio do Planalto afirmam que a intenção do governo é evitar que esses temas e a conjuntura internacional dominem os debates eleitorais. A campanha de Lula deve enfatizar as conquistas do governo durante seu terceiro mandato, incluindo pautas aprovadas no Congresso e resultados econômicos positivos. A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), destacou que o último ano foi favorável ao governo, com recordes na redução do desemprego e inflação controlada. Ela mencionou a aprovação de pautas importantes, como a isenção do Imposto de Renda com taxação dos mais ricos, o Gás do Povo e a Luz do Povo, além da defesa da justiça tributária, soberania nacional e democracia.

Na comunicação, o governo adotou um discurso de combate a privilégios, mudando seu slogan para "Do lado do povo brasileiro", em vez de "União e Reconstrução". Contudo, essa postura de apoio ao povo contrasta com uma pauta que é sensível ao Congresso, especialmente ao centrão: as emendas parlamentares. Esse tema gerou atritos entre o Congresso e o STF, especialmente após o ministro Flávio Dino impor bloqueios e limitações aos repasses. Lula apoiou o Supremo, questionando publicamente o volume das emendas impositivas, que têm execução obrigatória.

As alianças com membros do centrão são cruciais para a reeleição de Lula. O presidente busca também formar parcerias com candidatos competitivos em estados-chave, como Minas Gerais e São Paulo. Em Minas, ele articula com Tadeu Leite (MDB), presidente da Assembleia Legislativa, e Alexandre Kalil (PDT), ex-prefeito de Belo Horizonte, como alternativas ao senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Para fortalecer a candidatura de aliados em todo o país, Lula orientou seus ministros a se afastarem do governo a partir de abril para concorrer a cargos públicos em seus estados.

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