O presidente Lula (PT) orientou a direção do partido a buscar candidatos jovens para promover uma renovação na legenda. Em um caso específico, ele interveio diretamente para lançar uma pré-candidatura a deputada federal em São Paulo. Atualmente, a bancada do PT é a terceira com a média de idade mais alta na Câmara dos Deputados. Lula expressa há anos sua preocupação com a falta de renovação no partido e, no início de 2026, manifestou descontentamento com as barreiras impostas a novos candidatos.
Com 80 anos, Lula afirmou durante a campanha de 2022 que não tentaria um novo mandato em 2026, caso fosse eleito. Naquele momento, já era evidente a ausência de um sucessor claro. Posteriormente, ele passou a declarar que só concorreria à reeleição se fosse o único em seu campo político capaz de derrotar o bolsonarismo. O deputado José Guimarães (PT-CE), coordenador do Grupo de Trabalho Eleitoral do PT, confirmou que Lula recomendou a busca por candidatos jovens, ressaltando a importância dessa renovação para o partido.
A média de idade dos deputados do PT é de 59,2 anos, superada apenas pelas bancadas do PC do B e do PDT. O PL, principal partido de oposição a Lula, ocupa a oitava posição no ranking, com média de 53,8 anos, igual à média geral da Câmara. A secretária nacional de Juventude do partido, Julia Köpf, de 29 anos, afirmou que a legenda está "correndo atrás" de candidatos jovens e destacou a disposição da juventude para enfrentar desafios, como a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Em geral, o presidente não costuma se envolver diretamente nas conversas sobre candidaturas, mas é informado sobre as articulações de jovens candidatos nos estados e demonstra aprovação em algumas situações. No caso da vereadora de São Paulo, Luna Zarattini, de 32 anos, Lula pediu que ela concorresse a deputada federal, mesmo que inicialmente não estivesse nos planos dela. Além de seu perfil jovem, Lula se interessou pelo número de votos que Luna obteve na Câmara Municipal, onde recebeu 100.921 votos em 2024.
Lula também manifestou simpatia pela pré-candidatura da deputada estadual Ana Júlia Ribeiro (PT-PR), de 25 anos. O plano inicial dela era tentar a reeleição na Assembleia Legislativa do Paraná, mas a situação mudou quando Lula solicitou à ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, que disputasse uma vaga no Senado. Ana Júlia e o presidente do diretório paranaense do partido, Arilson Chiorato, devem se candidatar a deputado federal, mirando o eleitorado de Gleisi.
Outra pré-candidatura que agradou Lula foi a da deputada estadual Rosa Amorim (PT-PE), de 29 anos, que é ligada ao MST. O apoio do eleitorado jovem foi crucial para a vitória de Lula sobre Jair Bolsonaro (PL) nas eleições de 2022. A pesquisa Datafolha realizada antes do segundo turno daquele ano indicou que Lula tinha 50% das intenções de voto entre eleitores de 16 a 24 anos, enquanto Bolsonaro tinha 37%. A margem de erro para esse recorte foi de três pontos percentuais.
Na pesquisa mais recente, voltada para as eleições deste ano, Lula não lidera entre os jovens. Ele possui 43% das intenções de voto para o segundo turno entre eleitores de 16 a 24 anos, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 44%. A margem de erro para esse recorte é de cinco pontos percentuais. O levantamento divulgado em março mostra que Lula e Flávio estão tecnicamente empatados nas intenções de voto para o segundo turno, com 46% e 43%, respectivamente, e margem de erro de dois pontos.
As variações nas margens de erro dependem do tamanho da amostra de eleitores. O número total de entrevistados é maior do que o de jovens de 16 a 24 anos, resultando em uma margem de erro menor para o total. Integrantes do PT relatam que o apoio a novos candidatos gera disputas internas, pois políticos estabelecidos muitas vezes resistem à ideia de dividir espaços e perder influência. Um dos principais pontos de atrito é a partilha dos recursos para financiamento de campanha.
Lula mencionou indiretamente essa questão em um discurso recente, ao afirmar que, apesar de o PT falar em igualdade, há deputados que não desejam que novos candidatos surjam para não concorrer com eles. O partido havia proibido que deputados disputassem reeleição após três mandatos consecutivos na mesma Casa Legislativa, mas reverteu essa decisão em 2025, antes que a medida tivesse efeito.
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