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Lula usa fim da escala 6×1 e crítica a bets para se aproximar de evangélicos e conservadores

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Lula usa fim da escala 6x1 e crítica a bets para se aproximar de evangélicos e conservadores

O presidente Lula (PT) e sua equipe têm utilizado dois temas centrais da política atual para se aproximar de grupos evangélicos e conservadores, a cerca de seis meses das eleições. Um desses temas é a regulamentação das plataformas de apostas online, conhecidas como bets, e o outro é a proposta de acabar com a escala de trabalho de seis dias, com um dia de descanso. Esses assuntos têm sido frequentemente abordados nas declarações de membros do governo, servindo como uma oportunidade para se conectar com esses segmentos da sociedade.

Na terça-feira (14), Lula criticou as apostas online em entrevistas aos sites Brasil 247, DCM e Revista Fórum, posicionando-se como um cristão, já que é católico. O presidente atribuiu parte do aumento do endividamento da população às apostas. Ele afirmou que as pessoas agora enfrentam despesas que antes não existiam e declarou: "E agora tem as bets para assaltar o povo". Lula também mencionou sua luta histórica contra cassinos, afirmando que agora eles estão acessíveis dentro das casas das pessoas.

Uma semana antes, o presidente já havia manifestado que, se dependesse dele, as bets seriam encerradas. "Se fazem tão mal, por que a gente não acaba? Estamos tentando discutir isso", disse.

Na mesma entrevista, Lula reafirmou seu "compromisso moral, ético e até cristão de não permitir que os fascistas voltem a governar", buscando assim desmentir rumores sobre sua possível desistência da candidatura à reeleição.

Na quarta-feira (16), o ministro da Secretaria-Geral, Guilherme Boulos, também fez um apelo aos conservadores ao anunciar o envio de um projeto de lei ao Congresso que visa acabar com a escala de trabalho 6×1. Boulos vinculou a proposta à defesa da família, um tema importante para os conservadores. Essa associação foi percebida por membros do governo durante discussões internas sobre o assunto.

"O projeto de lei com urgência do fim da escala 6×1 é o projeto da família trabalhadora. Porque quem defende a família no Brasil, defende que o trabalhador e a trabalhadora possam ficar mais tempo com a sua família", afirmou Boulos. Ele também destacou que, se o projeto for aprovado, as pessoas terão mais tempo para frequentar a igreja, um argumento que partiu dele, e não de discussões internas.

O ministro ressaltou a importância do projeto para as mulheres, que frequentemente enfrentam sobrecarga de trabalho e responsabilidades em casa. "Ela não tem descanso, não tem tempo de lazer, não tem tempo de ir para a igreja, não tem tempo de assistir a um jogo de futebol", declarou.

Historicamente, Lula tem evitado misturar religião e política. Durante a campanha eleitoral de 2022, ele só aceitou divulgar uma carta ao público evangélico após insistência de aliados. O presidente acreditava que propostas voltadas à economia, como aumento de salários e programas sociais, poderiam atrair setores protestantes que se alinharam ao bolsonarismo ao longo do tempo.

No entanto, pesquisas recentes e estudos realizados pela equipe de Lula indicam que essa estratégia não foi suficiente para conquistar esse eleitorado. Uma pesquisa do Datafolha, divulgada na última semana, revelou que Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário de Lula, possui o dobro da intenção de voto entre evangélicos. No cenário geral, as pesquisas mostram um empate técnico no segundo turno, com Lula alcançando 45% e Flávio Bolsonaro 46%. O empate é atribuído à margem de erro de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. Ambos os pré-candidatos também apresentam altos índices de rejeição.


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