N/A

Maduro escala advogado de Julian Assange para defendê-lo em tribunal de Nova York

4 views
Maduro escala advogado de Julian Assange para defendê-lo em tribunal de Nova York

O ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro contratou Barry Pollack como seu advogado principal. Pollack é conhecido por sua atuação na negociação que resultou na libertação do fundador do WikiLeaks, Julian Assange. A representação de Pollack está registrada nos autos do processo na jurisdição federal de Manhattan, onde Maduro teve sua primeira audiência após ser capturado na Venezuela em uma operação militar dos Estados Unidos.

Um aspecto crucial do processo é o local da detenção. Maduro e sua esposa, Cilia Flores, estão custodiados no Metropolitan Detention Center (MDC) de Brooklyn, um complexo federal que abriga detidos de alto perfil em Nova York. No MDC, o ex-presidente pode ser mantido em regime de isolamento ou custódia reforçada, devido ao risco de ataques dentro da prisão.

Publicidade

Os crimes atribuídos ao casal transformam o caso em uma questão política de grande repercussão, embora se apresente sob a forma de uma acusação penal clássica nos Estados Unidos. O Departamento de Justiça acusa Maduro de liderar uma estrutura estatal que facilitava o tráfico de cocaína para os Estados Unidos, com apoio de grupos armados e redes criminosas. O documento menciona conexões com organizações como as FARC e o ELN, além de cartéis mexicanos e a facção venezuelana Tren de Aragua, que atuam na logística e proteção do tráfico.

As acusações contra Maduro incluem narcoterrorismo, conspiração para tráfico de drogas, delitos relacionados a armas e lavagem de dinheiro. O caso teve início com uma acusação apresentada em 2020 e, após a captura de Maduro, passou a tramitar no Distrito Sul de Nova York.

Publicidade

A operação que resultou na prisão de Maduro ocorreu na madrugada de sábado em Caracas, com a participação de forças especiais norte-americanas e coordenação de agências federais. O ataque incluiu bombardeios a alvos militares e sistemas de defesa aérea. Após ser detido, Maduro foi levado a uma embarcação da Marinha dos EUA e, em seguida, transferido para Nova York.

Barry Pollack, advogado baseado em Washington e sócio do escritório Harris, St. Laurent & Wechsler, agora lidera a defesa de Maduro. Pollack tem experiência em litígios federais e negociações complexas, tendo se destacado em 2024 por sua participação na negociação que libertou Julian Assange do Reino Unido. Além do caso WikiLeaks, Pollack tem um histórico em processos de grande repercussão nos Estados Unidos, como a defesa de Michael Krautz, ex-contador ligado ao caso Enron, e a exonerção de Martin Tankleff, que foi condenado injustamente pelo assassinato dos próprios pais.

Para o regime chavista, a contratação de Pollack visa garantir uma defesa robusta, uma vez que o caso tramitará no Distrito Sul de Nova York, sob a jurisdição de uma das fiscalias mais experientes dos Estados Unidos em crimes organizados, lavagem de dinheiro e delitos transnacionais. A defesa de Maduro também pretende questionar a legalidade da prisão e a jurisdição norte-americana, utilizando argumentos sobre imunidade e status de chefe de Estado.

Politicamente, essa movimentação é delicada para o chavismo. Maduro, que construiu grande parte de sua narrativa denunciando Washington como agressor, agora se vê vinculado às regras do sistema judicial norte-americano, incluindo audiências, medidas de segurança e decisões judiciais, em um contexto que costuma criticar como inimigo.


Descubra mais sobre Euclides Diário

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Rolar para cima