O Tribunal do Júri, localizado no Fórum Ruy Barbosa em Salvador, condenou dois homens pelo assassinato da ialorixá e líder quilombola Maria Bernadete Pacífico Moreira, conhecida como Mãe Bernadete. A decisão, proferida na terça-feira, 14 de novembro, resultou em uma pena de 40 anos, 5 meses e 22 dias de prisão para Arielson da Conceição Santos, executor do crime, e 29 anos e 9 meses para Marílio dos Santos, considerado o mandante.
Ambos foram condenados por homicídio qualificado, caracterizado por motivo torpe, uso de meio cruel, recurso que impossibilitou a defesa da vítima e emprego de arma de uso restrito. A acusação foi apresentada pelos promotores de Justiça Raimundo Moinhos e Felipe Pazzola durante o júri. A juíza Gelzi Maria Almeida Souza Matos decidiu manter a prisão preventiva de Arielson, enquanto um mandado de prisão contra Marílio foi expedido, mas ainda não foi cumprido.
Durante o julgamento, o Ministério Público enfatizou a articulação criminosa e a motivação do assassinato, que estava relacionada à resistência de Mãe Bernadete contra a expansão do tráfico de drogas no Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador. Jurandir Pacifico, filho de Mãe Bernadete, comentou sobre a experiência do julgamento, expressando que, apesar da dor e do cansaço, sentiu que a justiça foi feita.
Mãe Bernadete foi assassinada em 17 de agosto de 2023, dentro de sua casa, localizada na sede da associação quilombola. As investigações da 'Operação Pacific', conduzidas pela Polícia Civil com o apoio do Gaeco e da 7ª Promotoria de Justiça de Simões Filho, revelaram que a líder religiosa foi atingida por 25 disparos em várias partes do corpo, enquanto três de seus netos, com idades entre 12 e 18 anos, estavam presentes no local.
O crime foi motivado pela firme oposição de Mãe Bernadete às atividades ilícitas na comunidade, incluindo a instalação de pontos de venda de drogas e a ocupação irregular de áreas, o que gerou conflitos com membros de uma organização criminosa atuante na região. Outros três indivíduos, Sérgio Ferreira de Jesus, Josevan Dionísio dos Santos e Ydney Carlos dos Santos de Jesus, também foram denunciados e ainda aguardam julgamento.
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