O avanço da inteligência artificial no ambiente de trabalho tem gerado um cenário ambíguo, aumentando a produtividade, mas também intensificando o receio de substituição profissional. Um levantamento realizado pela Anthropic com cerca de 81 mil usuários do Claude buscou relacionar o uso da tecnologia com as percepções econômicas dos trabalhadores. O estudo revela que funções mais expostas à automação, especialmente aquelas em que a IA já desempenha parte relevante das tarefas, concentram os maiores níveis de preocupação. Esse sentimento é mais forte entre profissionais em início de carreira, que tendem a perceber um maior risco de perda de espaço no mercado.
A relação entre a exposição à tecnologia e a insegurança é evidente nos dados. À medida que o uso da IA aumenta em determinadas atividades, cresce também a percepção de ameaça. De forma geral, a cada avanço da IA no ambiente profissional, mais trabalhadores acreditam que suas funções podem ser impactadas ou até substituídas. Relatos individuais de usuários consultados no levantamento ilustram esse cenário. Um engenheiro de software expressou sua preocupação, afirmando que está constantemente preocupado com a possibilidade de perder seu emprego para a IA. Cerca de 20% dos participantes demonstraram preocupação direta com o impacto econômico da tecnologia.
Apesar das apreensões, os ganhos de produtividade são reconhecidos. Em média, os entrevistados classificaram o impacto da IA como significativamente positivo nesse aspecto. Muitos relataram uma redução no tempo necessário para executar tarefas ou a possibilidade de realizar atividades antes fora de seu alcance. Em alguns casos, a tecnologia possibilitou a criação de novos negócios ou projetos paralelos. No entanto, os benefícios não são distribuídos de maneira uniforme. Profissionais em cargos mais bem remunerados, como desenvolvedores e gestores, tendem a relatar maiores ganhos de eficiência, embora trabalhadores de menor renda também tenham indicado avanços relevantes, especialmente ao utilizar IA para automatizar tarefas repetitivas ou explorar novas oportunidades.
Um dos efeitos mais citados está relacionado à ampliação do escopo de trabalho. Quase metade dos usuários que mencionaram ganhos de produtividade destacou que passou a executar atividades que antes não dominava. Outros enfatizaram o aumento de velocidade na realização de tarefas, como um profissional que afirmou conseguir concluir em minutos algo que antes levava horas. Curiosamente, os maiores ganhos de eficiência estão associados a níveis mais altos de preocupação. O estudo identificou que usuários que perceberam uma forte aceleração no trabalho tendem a enxergar um maior risco para suas funções, possivelmente porque a redução do tempo necessário para realizar tarefas levanta dúvidas sobre a demanda futura por esses profissionais.
A pesquisa também analisou quem se beneficia diretamente das melhorias trazidas pela IA. A maior parte dos participantes apontou ganhos pessoais, como mais tempo livre ou maior capacidade de produção. No entanto, uma parcela relatou aumento de exigências por parte de empregadores ou clientes, indicando que a tecnologia pode intensificar o ritmo de trabalho. Apesar das tendências identificadas, os pesquisadores destacam limitações nos dados. A amostra é composta por usuários ativos do Claude, o que pode influenciar uma percepção mais positiva sobre produtividade. Além disso, algumas informações, como ocupação e estágio da carreira, foram inferidas a partir das respostas, o que pode gerar imprecisões.
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