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Messias aguarda sabatina para STF dez anos após caso ‘Bessias’ vir à tona na Lava Jato

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Messias aguarda sabatina para STF dez anos após caso 'Bessias' vir à tona na Lava Jato

O advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado por Lula (PT) para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), aguarda a sabatina necessária para assumir o cargo. Messias se tornou uma figura conhecida na política brasileira há dez anos, quando foi mencionado em uma conversa entre a então presidente Dilma Rousseff (PT) e Lula, interceptada pela Operação Lava Jato. A gravação, divulgada em 16 de março de 2016, foi um dos momentos marcantes do processo que levou ao impeachment de Dilma.

Para ser aprovado no STF, o indicado precisa obter pelo menos 41 votos favoráveis no Senado após responder a perguntas dos senadores. A escolha de Messias foi anunciada por Lula em novembro do ano passado. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), chegou a agendar a sabatina, mas a cancelou devido à falta de documentos enviados pelo governo. Essa situação foi utilizada por Lula para ganhar tempo e buscar mais apoio para seu indicado.

Integrantes do governo e senadores esperam um novo encontro entre Lula e Alcolumbre para resolver a questão da sabatina. A expectativa é que essa conversa ocorra nos próximos dias, e aliados de Lula acreditam que a votação poderá acontecer ainda em março. Messias, que é evangélico, se tornou um importante interlocutor do presidente junto a setores religiosos que são resistentes a Lula e ao PT. Sua identidade religiosa foi mencionada em conversas com senadores em busca de apoio.

O indicado também demonstrou ter uma visão conservadora sobre temas como aborto e drogas, além de indicar que não se oporá às emendas parlamentares, que são um mecanismo utilizado por deputados e senadores para destinar recursos a suas bases eleitorais. A escolha de Lula gerou descontentamento na cúpula do Senado e evidenciou um distanciamento entre o governo federal e a Casa, que havia sido uma importante fonte de apoio para a gestão petista. Alcolumbre preferia que o escolhido fosse o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

Messias é bem visto no meio político, mas senadores acreditam que sua aprovação será difícil sem um entendimento prévio entre Lula e Alcolumbre. Após sua indicação, o ministro argumentou com congressistas que não deveria ser penalizado por desentendimentos entre os presidentes da República e do Senado. Em 2016, quando ganhou notoriedade, Messias era subchefe para Assuntos Jurídicos do Palácio do Planalto. Dilma o encarregou de levar a Lula o "termo de posse" como ministro da Casa Civil, sugerindo que ele poderia usar o documento "em caso de necessidade".

Investigadores da Lava Jato interpretaram essa conversa como uma tentativa de Dilma de evitar a prisão de Lula, oferecendo-lhe um cargo elevado no governo. Uma decisão do STF impediu que Lula assumisse o ministério. Na ligação, Dilma, que estava com a voz fanha, pronunciou o nome de Messias como "Bessias", o que gerou um apelido que adversários do PT passaram a usar. A despedida de Lula a Dilma, "tchau, querida", se tornou um slogan da campanha de impeachment, que foi consumado em agosto de 2016.

No mês seguinte à divulgação do áudio, o então juiz da Lava Jato, Sergio Moro, hoje senador pelo União Brasil do Paraná, pediu desculpas ao STF por ter tornado a gravação pública, mesmo após uma ordem judicial que determinava o encerramento do grampo. Lula foi preso em 2018, liberado em 2019 e reeleito presidente em 2022, após uma série de vitórias judiciais.

Messias manteve-se próximo ao grupo político de Lula após a queda de Dilma. Em 2022, ele integrou a equipe de transição que preparou Lula e seus auxiliares para o novo governo. Foi anunciado como advogado-geral da União pelo presidente eleito dias antes da posse. Em 22 de dezembro de 2022, Lula declarou: "Anuncio o companheiro advogado-geral da União, o companheiro Jorge Messias, que era tratado de Jorge Bessias aqui". Desde então, Messias se consolidou como um dos auxiliares mais próximos do presidente.


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