O ex-prefeito de Juazeiro, Isaac Carvalho, do PSD, decidiu se juntar à base do pré-candidato ao governo do estado, ACM Neto, do União, em uma estratégia para fortalecer a oposição no norte da Bahia. Essa mudança não surpreendeu a base do governador Jerônimo Rodrigues, do PT, que já percebia um clima de rompimento desde as eleições de 2024, conforme relatos obtidos pelo Bahia Notícias.
No final do ano passado e no início deste ano, a reportagem buscou informações com lideranças políticas de Juazeiro sobre o futuro de Isaac. Um dos líderes da região indicou que a movimentação era esperada, uma vez que o ex-prefeito havia se distanciado da base após conflitos relacionados ao candidato do grupo de Jerônimo na última eleição municipal. A fonte afirmou que, se estivesse na posição de Isaac, também tomaria uma decisão semelhante, considerando que a mudança de lado era inevitável.
Outra liderança da região do Sertão do São Francisco comentou que a provável mudança de Isaac se daria por uma questão de sobrevivência política, uma vez que ele teria dificuldades em encontrar um espaço significativo dentro do governo Jerônimo. A fonte destacou que, após as eleições, Isaac ficou marginalizado, em parte devido a suas próprias ações.
Isaac Carvalho foi um dos protagonistas de um dos episódios mais conturbados da pré-campanha municipal na Bahia em 2024, caracterizado por disputas internas entre líderes locais, a entrada de um candidato novato e decisões partidárias que causaram desgaste político. Ele governou Juazeiro por dois mandatos e era visto como o candidato natural para retornar à prefeitura com o apoio do grupo governista estadual. Contudo, enfrentava incertezas jurídicas sobre sua candidatura, pois estava inelegível devido a uma condenação por improbidade administrativa.
Durante a crise sobre seus direitos políticos, outros líderes da região, como os deputados estaduais Zó e Roberto Carlos, além do ex-prefeito e ex-deputado federal Joseph Bandeira, também se lançaram como candidatos. Apesar de o PT, partido ao qual Isaac era filiado, ter oficializado sua candidatura em agosto de 2024, a situação jurídica desfavorável comprometeu sua viabilidade. Ele tentou um acordo com o Ministério Público para reverter sua inelegibilidade, mas o pedido foi negado pelo Judiciário.
Com Isaac fora da disputa e sua candidatura rejeitada, a base de Jerônimo iniciou negociações com o MDB e decidiu apoiar o novato Andrei da Caixa como candidato a prefeito. Essa decisão, apresentada como uma solução de unidade, na verdade aprofundou a divisão no grupo governista em Juazeiro, levando Isaac a se desfiliar do PT em agosto, antes das eleições.
Aliados de Isaac consideraram a escolha do novo candidato uma exclusão política, e membros do PSD, partido com forte presença na região, expressaram descontentamento com a falta de diálogo e a centralização das decisões por parte do governo estadual. Insatisfeito, Isaac lançou seu sobrinho, Celso Carvalho, como candidato, mas sua indicação foi rejeitada pela federação e pelos principais partidos da base de Jerônimo, que optaram por apoiar Andrei da Caixa, que acabou vencendo a eleição.
O desfecho desse conflito político ocorreu um ano e meio depois, com repercussões além da disputa municipal. Em um movimento que simbolizou a ruptura com a base governista, Isaac Carvalho anunciou seu apoio a ACM Neto, o principal opositor ao PT na Bahia. Ao justificar sua decisão, Isaac afirmou que a gestão de Jerônimo não atendeu às expectativas e criticou a falta de diálogo com as lideranças do interior.
Descubra mais sobre Euclides Diário
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.





