O Ministério Público Federal (MPF) na Bahia, por meio de uma Portaria publicada nesta quarta-feira, converteu uma notícia de fato em inquérito civil público, com base nas investigações e provas obtidas durante a “Operação Strike”. A portaria, assinada pela procuradora da República Flávia Galão Arruti, do 8º Ofício do Núcleo de Combate à Corrupção em Salvador, fundamenta-se em uma decisão judicial de 16 de dezembro de 2025, que autorizou o compartilhamento de todas as provas produzidas no Inquérito Policial que originou a operação.
O MPF tem como objetivo apurar se os fatos investigados na esfera criminal também configuram violações no âmbito do Direito Administrativo Sancionador. Isso pode resultar em ações por ato de improbidade e por violação à Lei Anticorrupção Empresarial. O documento menciona a possibilidade de condutas que se enquadram nos artigos da Lei de Improbidade Administrativa, como enriquecimento ilícito e atentados contra os princípios da administração pública, além de prever a responsabilização de empresas por atos lesivos à administração pública, conforme a Lei Anticorrupção. A instauração do inquérito civil visa subsidiar a adoção de providências cabíveis com base nesse novo enquadramento legal, que pode levar a sanções administrativas e ações cíveis independentes do processo penal.
A “Operação Strike”, que agora subsidia a investigação do MPF, foi deflagrada pela Polícia Civil da Bahia em 28 de junho de 2025, no município de Cafarnaum, na Chapada Diamantina. A operação tinha como alvo uma organização criminosa suspeita de envolvimento com tráfico de drogas, homicídios e ataques a instituições financeiras. Durante a ação, foram apreendidos dois fuzis de uso restrito calibre 7,62, uma carabina 9 mm, um revólver, coletes balísticos, munições, 17 quilos de cocaína, 1,5 quilo de maconha, balanças de precisão e dois veículos. O material estava escondido em dois imóveis localizados no povoado de Junco Novo e em Recife de João André, ambos em Cafarnaum, no norte da Bahia. O prejuízo causado ao grupo foi estimado em aproximadamente R$ 800 mil.
Com o inquérito civil autuado no Núcleo Cível Extrajudicial da Procuradoria, o MPF determinará a junção dos autos da decisão judicial que autorizou o compartilhamento das provas, além de cópias dos volumes principais do inquérito policial original. O procedimento terá um prazo inicial de um ano para conclusão, conforme as diretrizes internas da instituição.
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