O ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, estabeleceu um prazo de 15 dias para que o pastor Silas Malafaia apresente sua defesa em uma ação penal na qual é acusado de calúnia e injúria contra o comandante do Exército, general Tomás Paiva. A notificação foi recebida por Malafaia em 23 de dezembro.
A denúncia foi protocolada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, em 18 de dezembro, e tem origem em uma representação feita pelo general Tomás Paiva. O procurador argumenta que, durante uma manifestação na Avenida Paulista em abril do ano passado, Malafaia ofendeu a dignidade do comandante e do Alto Comando do Exército. O evento foi convocado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em seu discurso, que foi amplamente compartilhado e teve mais de 300 mil visualizações, Malafaia criticou os generais, afirmando: "Cadê esses generais de quatro estrelas, do Alto Comando do Exército? Cambada de frouxos, cambada de covardes, cambada de omissos. Vocês não honram a farda que vestem. Não é para dar golpe, não, é para marcar posição". O procurador-geral sustenta que as declarações do pastor imputaram falsamente o crime de prevaricação aos generais e ofenderam diretamente o comandante Tomás Paiva.
Em resposta, Malafaia afirmou que sua fala não mencionou nomes específicos. Ele também questionou a competência do STF para processar o caso, alegando que não possui prerrogativa de função que justifique o foro especial. "Eu não tenho prerrogativa de função, que me mandasse, então, para a primeira instância", declarou.
O procurador-geral enviou a denúncia a Moraes com base na "estrita conexão" com as investigações dos inquéritos das fake news e das milícias digitais, que estão sob a relatoria do próprio ministro. Malafaia refutou essa conexão, afirmando que sua expressão de opinião em uma manifestação não se relaciona com fake news ou milícias digitais. Ele classificou a situação como uma questão de liberdade de expressão e criticou o inquérito como uma perseguição política. O pastor também expressou descontentamento com o prazo para a defesa durante o recesso judiciário.
O recesso e as férias coletivas do STF se estendem até o final de janeiro, período em que apenas casos urgentes são analisados pelo presidente da corte, Edson Fachin, ou pelo vice, Alexandre de Moraes. A determinação para a apresentação da defesa foi assinada por Moraes em 20 de dezembro. As informações são da Folha de S. Paulo.
Descubra mais sobre Euclides Diário
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.





