A MSC Cruzeiros anunciou a retirada de Ilhéus de seu roteiro para a temporada 2026/2027, impactando negativamente o setor turístico da cidade e encerrando negociações que previam escalas regulares de navios transatlânticos. Essa decisão foi tomada após um incidente considerado crítico pela companhia, que afetou a logística de desembarque e recepção de turistas.
Na manhã da última quinta-feira, taxistas, motoristas de aplicativo e condutores de vans bloquearam o acesso ao Porto do Malhado, impedindo a passagem de ônibus fretados que realizavam o traslado de passageiros de um navio atracado. O bloqueio resultou em atrasos e transtornos, comprometendo a experiência dos turistas, um aspecto crucial para as empresas de cruzeiro que operam com cronogramas rígidos e protocolos de segurança. O site “O Tabuleiro” informou que esse episódio foi determinante para a MSC encerrar as tratativas com o município.
Diante do risco de prejuízos significativos ao turismo local, o secretário de Qualificação, Emprego e Juventude do Ministério do Trabalho e Emprego, Magno Lavigne, começou a se mobilizar para tentar reverter o cancelamento. Ele acionou contatos institucionais, dialogou com o secretário de Turismo da Bahia, Maurício Bacelar, e se reuniu em Brasília com a ministra em exercício do Turismo, Fernanda Câmara Norat, que busca soluções junto à MSC Cruzeiros e à CLIA, a principal associação global da indústria de cruzeiros. O ministro do Turismo, Gustavo Damião Feliciano, também está acompanhando a situação, mesmo estando em viagem ao exterior.
Magno Lavigne destacou a importância do turismo para a cidade e a necessidade de garantir que Ilhéus não perca essa oportunidade de geração de empregos e movimentação econômica. O cancelamento das escalas impacta diretamente comerciantes, restaurantes, hotéis, guias turísticos, artesãos e o setor de transporte, que dependem da chegada de passageiros de cruzeiros. Estimativas iniciais indicam que a cidade pode deixar de receber milhões de reais em circulação econômica, além de sofrer danos à sua visibilidade internacional como destino turístico.
O protesto que levou à crise foi motivado por reivindicações dos taxistas, motoristas de aplicativo e condutores de vans, que pedem igualdade de condições no atendimento ao turismo. Eles alegam que empresas privadas foram autorizadas a transportar turistas que chegam a Ilhéus em navios, como o MSC Harmonia, que tem capacidade para cerca de 3 mil passageiros. Os trabalhadores afirmam que muitos visitantes contratam previamente serviços de transfer, sendo levados do porto a pontos turísticos, o que favorece empresas privadas em detrimento dos profissionais locais, que se sentem prejudicados e impedidos de competir de forma justa.
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