A federação União Progressista considera adotar uma postura de neutralidade na eleição nacional, o que pode representar um revés político para o pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), na disputa contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo Palácio do Planalto. Essa posição é defendida pelo vice-presidente nacional do partido, ACM Neto, que também é pré-candidato ao governo da Bahia.
Fatores internos têm impulsionado essa movimentação, conforme relatam parlamentares do União Brasil e do PP, que fazem parte da federação. O mais recente deles foi o desgaste causado pela operação da Polícia Federal que resultou na prisão do ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, candidato do União Brasil ao Senado com o apoio de Flávio. A prisão levou o PL do Rio de Janeiro a considerar substituir Canella pelo deputado federal Marcelo Crivella (Republicanos-RJ), o que gerou descontentamento na cúpula do União Brasil.
Lideranças da federação argumentam que a neutralidade poderia facilitar composições nos estados e proporcionar maior liberdade a candidatos que buscam vagas no Congresso. No dia 7 de outubro, o governador do Amazonas, Roberto Cidade (União Brasil), lançou sua pré-candidatura ao governo sem mencionar Flávio Bolsonaro.
No Rio de Janeiro, parlamentares acreditam que a neutralidade poderia facilitar uma aliança com o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), que está na disputa pelo governo e se alinha ao PT. Situação semelhante ocorre na Bahia, onde ACM Neto optou por se aproximar do pré-candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado. O ex-prefeito de Salvador tem afirmado à imprensa que precisa respeitar as posições de aliados importantes, como os pré-candidatos ao Senado, senador Angelo Coronel (Republicanos) e o presidente estadual do PL, João Roma, ambos apoiadores de Flávio Bolsonaro.
Um parlamentar da federação destacou que a prisão de Canella também gera incertezas para o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, que pretende concorrer a uma vaga de deputado federal em Pernambuco. Rueda esperava fazer campanha ao lado de Canella, aproveitando sua popularidade.
No PP, há descontentamento pela falta de apoio de Flávio ao presidente do partido, senador Ciro Nogueira (PI). Nogueira, que foi ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro entre agosto de 2021 e dezembro de 2022, foi alvo de investigação da Polícia Federal no caso do Banco Master. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) chegou a ser cogitada como vice de Flávio.
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