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Nova Petrópolis: da fundação pelo padre Amstad ao avanço evangélico

Nova Petrópolis: da fundação pelo padre Amstad ao avanço evangélico

Localizada na Serra Gaúcha, a cidade de Nova Petrópolis possui pouco mais de 23 mil habitantes e carrega o título de berço do cooperativismo brasileiro. A trajetória do município foi profundamente moldada no início do século XX pela atuação do padre suíço Theodor Amstad, que combateu dificuldades econômicas e estruturais dos pequenos produtores rurais.

Reconhecido como o patrono do cooperativismo nacional, o padre uniu diferentes comunidades de colonos de origem germânica e imigrantes. No entanto, apesar de suas raízes católicas ligadas à fundação histórica local, o cenário religioso contemporâneo passou por transformações expressivas, destacando-se pelo crescimento da população evangélica na região.

A revolução de Theodor Amstad e o nascimento do cooperativismo

Nascido em 1851 na Suíça, o padre Theodor Amstad estabeleceu-se no Rio Grande do Sul e identificou graves obstáculos financeiros enfrentados pelos agricultores. Para solucionar o acesso restrito ao crédito destinado à compra de insumos, o religioso liderou uma nova forma de organização baseada na cooperação mútua entre os trabalhadores.

Em 1902, ao lado de produtores rurais e lideranças locais, o sacerdote fundou a primeira cooperativa de crédito do Brasil e da América Latina, hoje conhecida como a Sicredi Pioneira RS. O modelo econômico uniu esforços de diferentes crenças em um período de adaptação dos imigrantes alemães, austro-húngaros e de outras etnias na colônia.

Contexto histórico e pluralidade religiosa em Nova Petrópolis

A colonização da área ocorreu no século XVIII, após o desfecho da Revolução Farroupilha. A região abrigava forte presença luterana e de imigrantes que buscavam estabilidade após crises na Europa, a exemplo das transformações decorrentes da Revolução Industrial.

Segundo Felipe Moura, condutor histórico da Casa Cooperativa, o cooperativismo funcionou como ferramenta essencial de união em meio às urgências de sobrevivência. Os imigrantes precisavam cooperar independentemente de divergências étnicas ou religiosas para prosperar no novo território sulista.

A dinâmica entre católicos e protestantes na fundação econômica

A consolidação financeira das iniciativas comunitárias envolveu diferentes matrizes religiosas desde o início das atividades. Conforme relatos institucionais da Casa Cooperativa, o primeiro registro de depósito no modelo cooperativo veio de fiéis católicos da comunidade italiana.

Por outro lado, o depósito de maior valor inicial da época foi destinado à construção de uma igreja evangélica luterana local por imigrantes alemães. Mesmo com rivalidades históricas entre grupos, a gestão inicial combinou a liderança jesuítica com a presidência exercida por um cidadão luterano.

Fonte: atarde.com.br


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