O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na sexta-feira (20) a implementação de uma nova tarifa de 10% sobre importações de todos os países, em resposta à decisão da Suprema Corte que derrubou uma tarifa anterior. As novas taxas entrarão em vigor na terça-feira (24) e se baseiam na Seção 122, que permite a imposição de tarifas em casos de "problemas fundamentais de pagamentos internacionais". Essa regra possibilita a manutenção das taxas por até 150 dias, período que será utilizado integralmente, conforme o anúncio oficial.
O governo dos Estados Unidos informou que alguns produtos estarão isentos da nova tarifa, incluindo carne bovina, tomates e laranjas. Itens considerados estratégicos, como minerais críticos, energia, fertilizantes, medicamentos, eletrônicos, veículos, produtos aeroespaciais e materiais informativos, também não serão taxados. Além disso, bens originários do Canadá e do México que estejam em conformidade com o USMCA, o acordo comercial entre os três países, não sofrerão a nova cobrança. Produtos que já estão sujeitos a tarifas impostas pela Seção 232, que permite ao presidente investigar se importações específicas representam uma ameaça à segurança nacional, e determinados têxteis de países da América Central também estão excluídos.
Na mesma data, Trump ordenou que o USTR amplie investigações fundamentadas na Seção 301 contra práticas comerciais consideradas "irracionais ou discriminatórias". Esse regulamento permite que o governo dos EUA adote retaliações tarifárias e não tarifárias contra países cujas políticas sejam vistas como injustificadas e prejudiciais ao comércio americano. O Brasil está sob investigação desde julho do ano passado por suspeitas de práticas comerciais desleais, com o objetivo de avaliar se as políticas brasileiras oneram ou restringem o comércio dos Estados Unidos. O USTR informou que as apurações em andamento, incluindo as que envolvem o Brasil e a China, continuam e que novas investigações serão abertas, embora não tenha especificado quais países serão alvo. O órgão também anunciou que os processos terão tramitação acelerada, podendo resultar na aplicação de tarifas adicionais. Em uma nota divulgada, o USTR criticou a decisão da Suprema Corte e destacou que a IEEPA, base utilizada por Trump para impor tarifas globalmente, foi fundamental para enfrentar crises relacionadas ao fentanil, à imigração e ao déficit comercial.
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