Pesquisadores desenvolveram um chip inovador que pode operar em ambientes extremamente frios e com altos níveis de radiação, como os encontrados em luas distantes do Sistema Solar, com apoio da NASA. Essa nova tecnologia pode facilitar a exploração de oceanos ocultos sob camadas de gelo, com Europa, uma das luas de Júpiter, sendo um dos principais alvos. Europa abriga um vasto oceano subterrâneo e é considerada um local promissor na busca por vida fora da Terra.
Diversos corpos celestes, como as luas Europa e Ganimedes, além de Encélado e Titã, possuem água em diferentes estados, incluindo gelo e líquido. Esses locais podem esconder oceanos que despertam interesse científico, pois podem oferecer pistas sobre a formação do Sistema Solar e condições para a vida microscópica. No entanto, a exploração desses mundos é desafiadora devido à radiação intensa e temperaturas que podem chegar a –180 °C. Equipamentos eletrônicos tradicionais não sobrevivem nessas condições sem proteção térmica, o que torna inviável o uso de caixas aquecidas em missões que exigem leveza e eficiência.
A NASA tem financiado projetos para desenvolver eletrônicos que funcionem em ambientes hostis sem a necessidade de proteção térmica. Um dos projetos mais promissores é liderado pelo Instituto de Tecnologia da Geórgia, em colaboração com o Laboratório de Propulsão a Jato da NASA e a Universidade do Tennessee. A solução envolve o uso de uma liga de silício-germânio, que melhora o desempenho dos transistores em temperaturas extremamente baixas e aumenta a resistência à radiação.
Os pesquisadores criaram circuitos completos que operam em condições simuladas de mundos oceânicos. Um circuito integrado experimental demonstrou funcionamento em temperaturas de –180 °C e resistência a altos níveis de radiação, além de um sistema de comunicação por rádio que transmitiu dados de forma estável. O chip, com menos de 10 milímetros quadrados, é compacto e consome pouca energia, características essenciais para missões espaciais.
Essa tecnologia pode possibilitar a criação de redes de sensores em superfícies congeladas, sondas perfuradoras de gelo e pequenos submarinos robóticos, todos trabalhando em conjunto para investigar oceanos ocultos. Embora o foco principal seja a exploração de mundos oceânicos, a eletrônica também pode ser aplicada em futuras missões à Lua e a Marte, onde as temperaturas podem ser igualmente extremas. Sensores e sistemas de comunicação poderiam operar na superfície lunar, mesmo durante longas noites ou em áreas permanentemente sombreadas, tornando essa nova tecnologia fundamental para futuras bases humanas fora da Terra e para missões robóticas em ambientes extremos do Sistema Solar.
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