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O cálculo de aliados de Flávio Bolsonaro para derrotar Lula nestas eleições

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Para diluir a resistência na Faria Lima e dentro da própria direita, Flávio Bolsonaro quer ter seu próprio ‘Posto Ipiranga’

A nove meses das eleições presidenciais, aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) já fazem as contas de onde vão precisar turbinar o desempenho em relação a 2022 para impedir a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva em outubro. Nesse mapa, São Paulo e o Nordeste são fundamentais. 

O cálculo no QG da campanha de Flávio é o de que em São Paulo, maior colégio eleitoral do País, ele vai ter de conseguir três pontos percentuais a mais do que Jair Bolsonaro fez na eleição de 2022 para tentar virar o jogo contra Lula.

Isso pode significar pelo menos 772 mil votos a mais do que Bolsonaro num universo de 34,6 milhões de eleitores aptos a votar, considerando apenas o resultado de 2022. Na eleição passada, Bolsonaro pai teve em São Paulo 55,23% dos votos válidos (14,2 milhões), ante 44,77% de Lula (11,5 milhões) no segundo turno. O ex-presidente saiu vitorioso em 547 dos 645 municípios paulistas – mas perdeu na capital, onde recebeu 486,4 mil votos a menos que o petista.

Ampliar a vantagem é fundamental para o bolsonarismo, uma vez que a expectativa é de uma nova eleição polarizada e com resultado apertado, nos moldes da campanha de 2022, quando o petista derrotou Jair Bolsonaro por uma diferença de apenas 2,1 milhões de votos – a menor desde a redemocratização.

Outra meta que vem sendo discutida entre os estrategistas de Flávio é reduzir danos no Nordeste, especialmente na Bahia e no Ceará, que tem um histórico de governos de esquerda. 

Nos dois Estados, ACM Neto (União Brasil) e Ciro Gomes (PSDB) lideram as pesquisas mais recentes de intenção de voto, ameaçando as reeleições de Jerônimo Rodrigues (PT) e Elmano de Freitas (PT), respectivamente. Quarto maior colégio eleitoral do país, com 11 milhões de eleitores, a Bahia corre o risco de ver o fim da hegemonia do PT no Palácio de Ondina, iniciada em 2007.

“A situação do PT na Bahia e no Ceará não é a mesma. ACM vai dar trabalho para o PT, e Lula não vai ter a mesma vantagem por lá”, disse ao blog um interlocutor de Flávio ouvido sob a condição de anonimato, que também aposta na crise de segurança pública para reduzir a vantagem de Lula nesses dois estados.

Das cinco regiões brasileiras, Lula só derrotou Bolsonaro no Nordeste, por uma esmagadora diferença – 69,34% ante 30,66%. Nas outras quatro, perdeu.

Com esse mapa de votos em mente, o núcleo duro da campanha de Flávio tem o discurso de que é essencial “fidelizar” os eleitores de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, os três maiores colégios eleitorais do país. Desde a redemocratização, todos os presidentes eleitos ganharam Minas.

O fator Tarcísio

Lula também aposta as fichas em São Paulo. Na semana passada, a ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), acertou com Lula a transferência de seu domicílio eleitoral de Mato Grosso do Sul para São Paulo, onde deve disputar uma vaga no Senado em uma chapa encabeçada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), que deve disputar o Palácio dos Bandeirantes. Lula quer um candidato forte contra o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) candidato à reeleição e favorito nas pesquisas.

Na última quinta-feira, após visitar Bolsonaro na Papudinha, Tarcísio disse que tem um “projeto de longo prazo” em São Paulo e declarou apoio à pré-candidatura de Flávio.

A reeleição de Tarcísio será decisiva para que Flávio tenha o máximo de aproveitamento dos votos em São Paulo, avalia o cientista político Paulo Kramer, que ajudou na elaboração do plano de governo de Bolsonaro nas eleições de 2018. “A ‘tabelinha’ Tarcísio/Flávio será indispensável para a volta da direita ao Palácio do Planalto”, disse Kramer.

“A rejeição ao bolsonarismo em São Paulo aumentou muito, principalmente depois do aumento das tarifas pelos EUA, a pedido da família Bolsonaro”, disse ao blog o ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, em referência às articulações do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

Na avaliação do professor de ciência política Renato Perissinotto, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a estratégia de Flávio é boa no papel, mas antes é preciso “combinar com os russos”.

“Primeiro, é preciso garantir que a direita não adotará uma postura autofágica, fritando o candidato oficial do bolsonarismo. Segundo, é preciso ficar atento ao fato de que Lula tem a máquina do governo federal, que certamente será usada”, afirmou.

“O governo Lula tem ido bem no terreno da economia, mas este bom desempenho, se pode, por um lado, evitar a derrota, por outro, não garante a vitória. O bolsonarismo inundou o debate público com questões comportamentalistas e hiperideologizadas, que certamente ocuparão lugar de destaque nos debates ao lado do problema central da segurança pública, sobre o qual a esquerda tem pouco a dizer ou sobre o qual fala sempre de maneira muito ambígua.”

Fonte: O Globo


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